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A falta de uma oposição

Sou presidente de um Presbitério. Para a imensa maioria dos brasileiros, isso não significa muita coisa. Um Presbitério é um plenário formado por pastores e representantes de igrejas de uma determinada região geográfica. Em linhas gerais, e de modo comum, um parlamento. No Presbitério, não sou unanimidade. Nem pretendo ser. Meu mandato, de um ano, começou em dezembro passado e termina em dezembro próximo. Tenho ciência da responsabilidade e da temporalidade de meu mandato. Não serei eterno nele.

A realidade política no Brasil é outra. Desde 2002, optou-se por passar um rolo compressor na oposição que, acuada, não reagiu. Preciso, aqui, reafirmar minha opção política. Sou Social-Democrata e parlamentarista, por opção. No entanto, o partido que mais se aproximava da questão Social-Democrata e parlamentarista, no Brasil, hoje caminha distante dele. Não vou aqui erguer bandeiras políticas e dizer da pífia acusação de nazismo, no caso do Pinheirinho em São José dos Campos,  por parte de um grupo partidário, o mesmo que abriga, com louvores, um terrorista italiano. Pretendo aqui discutir a falta de uma oposição partidária e a existência de uma oposição apartidária.

Este rolo compressor do Governo conseguiu calar o PSDB e o PFL/DEM, que deveriam ser os maiores expoentes da oposição. Este mesmo rolo compressor vem tentando, há tempos, calar a imprensa. Mas aí, esbarra em suas próprias fileiras. Muitos jornalistas, reduto tradicional de uma esquerda, que para mim nunca existiu no Brasil, são declaradamente pró Governo, mesmo tendo que manter suas imparcialidades parciais em seus artigos. Ao tentar limitar a atuação da imprensa, o Governo sempre esbarrou em suas próprias bases.

Hoje, o maior expoente como oposição ao Governo é uma revista semanal. Criticada por muitos, tida como tendenciosa por outros, a Veja é hoje uma voz destoante em relação à petrificação da oposição. Enquanto o PSDB e DEM não assumem o legado de Fernando Henrique Cardoso e colocam o PT contra a parede, como o próprio PT fazia na época que foi oposição, os autores e articulistas de Veja expõe a realidade que muito PTista insiste em negar: O Partido dos Trabalhadores é exatamente igual aos outros, imerso em escândalos, cheio de corruptos, com poucas pessoas boas e sinceras em suas fileiras.

O grito maior, hoje, contra os impropérios do Governo saem das páginas, impressas ou virtuais, de uma revista semanal, mas também de pequenos blogs e páginas que insistem em questionar o Governo, colocá-lo contra a parede e perguntar se só existe uma maneira de se fazer política no Brasil. Não custa lembrar o que disse, sobre meu mandato, no inicio do texto: é preciso ter ciência da responsabilidade e da temporalidade do cargo que se ocupa. Ao invés de defender, com unhas e dentes, o partido político de sua preferência, reconheça a inabilidade técnica do Governo em gerir os nossos recursos. Eu ando farto desse discurso triunfalista do Governo do PT e sua coalizão que quer massacrar toda e qualquer voz dissonante ao seu discurso. Isso aqui, caro PT, embora não pareça, ainda é um país democrático. 

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