Mais um número na estatística, mais um vazio em uma família
Crônicas | Qui, 14 de Julho de 2011 10:12
Carolina Menezes Cintra Santos, 28 anos, faleceu no último sábado, 9 de julho de 2011. Ela é mais um número nas estatísticas de acidente de trânsito. Não deveria ser, mas infelizmente a Justiça, a Polícia e o Governo a tratam assim. A advogada morreu no cruzamento de ruas paulistanas, morta por uma arma cada vez mais comum e letal: um carro. O Porsche do engenheiro Marcelo Malvio de Lima, 36 anos, atingiu o carro de Carolina. Segundo informações, o carro de Marcelo estava a mais de 150km/h.
Na terça-feira passada Marcelo saiu da prisão após pagar fiança de R$ 300.000,00. Para o dono de um Porsche, dinheiro de chá da tarde. Marcelo não é o primeiro e não será o último assassino a usar um carro para matar. Nas ruas do Brasil, a maioria dos motoristas desconhece o poder letal de um carro. Por mais que o Governo aproveite-se da vontade de correr dos motoristas brasileiros, instalando radares para todos os lados, ainda assim encontramos pessoas que acham que as ruas da cidade são um filme, no pior estilo Velozes e Furiosos, para pisar fundo e usarem seus veículos como arma. Quer correr? Vai pro autódromo, você pode alugá-lo para isso. As ruas da cidade não foram feitas para correr, mas para trafegar, mover-se no espaço urbano, e é justamente isso que os motoristas ainda não entenderam.
Hoje, Carolina é mais um número numa planilha da Justiça, da Polícia e do Governo. Mas para seus familiares e amigos, ela não é um número, ela é o vazio da ausência, provocado por um motorista irresponsável, que como tantos outros, acham que um carro potente faz deles dono das ruas da cidade. Carolina é hoje uma saudade que não há dinheiro no mundo que pague. Marcelo, responde em liberdade. Números, enquanto encararmos os problemas de nossa sociedade como números, nada se resolverá.




