Outros Camões
Crônicas | Qui, 28 de Abril de 2011 15:23
Estou parado na frente da Biblioteca Mario de Andrade, no centro de São Paulo. Ali, olhando para mim, está a estátua de Luiz de Camões. Contemplo maravilhado a obra do artista que retratou ali o ilustre autor lusitano. Com sua roupa típica e tendo à mão um livro.
Olhando para Camões penso no quanto precisamos de ícones na nossa história. Quantos autores, quiçá até melhores, existiram no tempo de Camões? Quantos se projetaram? Quantos são lembrados? Camões foi excepcional? Sim, de fato foi. É indiscutível, para mim, a qualidade de seus textos. Embora lê-los na época do colegial tivesse sido maçante.
Hoje vivemos um tempo de grande difusão de conhecimento. Muita informação é espalhada, mas insistimos em eleger pessoas para que sejam referência e ícone de nossos dias. Porém, creio que algo mudou: no passado, era mais fácil ter-se unanimidade, hoje, a diversidade de ícones é maior. O que nos permite ter ícones completamente desconhecidos para determinados grupos sociais. O desafio não é marcar o tempo como ícone em uma sociedade tão diversa, o desafio é ser relevante, mesmo que apenas para alguns poucos de nós.

Estátua de Camões defronte à linda Biblioteca Mario de Andrade




