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Sobre as dez crianças do Rio de Janeiro

Um homem, cerca de vinte e quatro anos, invadiu uma escola e saiu atirando. As informações, no momento em que escrevo este texto, são desencontradas. Falam em dez mortos. Dez crianças mortas.

Será que pensamos que estávamos realmente imunes a este tipo de ataque? Depois de duas décadas assistindo a este tipo de ataques na televisão, mostrando escolas na Irlanda, na Alemanha e nos Estados Unidos, será que pensávamos que não sofreríamos com este tipo de violência?

Vou além. Será que depois de assistir à migração da violência dos becos para as ruas, das ruas para os comércios, para as casas, para os shoppings nós jamais pensaríamos que ela chegaria às escolas? Sinceramente, você está chocado com essa violência no Rio de Janeiro? Por quanto tempo estará chocado? Dez minutos, dez horas, dez dias ou dez anos?

Infelizmente os únicos capazes de conter a violência somos nós mesmos. Você e eu. Se aceitássemos o fato de que a sociedade, do jeito que está, não tem como viver sem a indústria da violência, talvez encontrássemos saídas para este mal que nos assola. Enquanto houver desigualdade, enquanto houver luta por se ter poder, haverão pessoas, equilibradas e desequilibradas, a invadir escolas e matar crianças. Nos rendemos à violência, ao invés de combatê-la. Aceitamos coniventes sua existência. Passeatas, manifestações públicas e outros eventos do gênero não resolvem. Indignados de plantão não resolvem. Enquanto eu violentar meu semelhante negando-lhe acesso aos bens e serviços que eu tenho, a violência existirá.

Lamento pelos pais que perderam seus filhos. Choro com eles. Pois um filho morto não tem volta. Deveria ser proibido enterrar filho. Mas nós insistimos em inverter a ordem natural da vida. 

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