Violência e a justiça do povo
Crônicas | Qua, 06 de Abril de 2011 14:41
Sexta-feira passada fui à um velório. Ao estacionar meu carro, cerca de uma quadra do local, ouço gritos e barulhos. Olho para frente e vejo um grupo de cerca de dez pessoas espancando um adolescente. Assistindo a tudo, uma menina aos gritos “Eu quero meu celular! Devolve meu celular!”
A cena acima me fez pensar no quanto prezamos pela justiça com as próprias mãos. Isto revela uma faceta da nossa sociedade que talvez não gostemos muito, mas que é real e está aí: não acreditamos na polícia e na justiça. E temos razões para isto. A polícia, em sua grande maioria, é abusiva e autoritária, e isto nas pequenas coisas. Exemplos: por que a viatura policial, que não está em perseguição, pode fazer uma curva proibida à esquerda? Por que a viatura policial pode estacionar em local proibido? Por que policiais comem de graça em determinados estabelecimentos? Isto tudo revela uma polícia despreparada e corrupta, até mesmo nas pequenas coisas.
Em contrapartida, a população cansou-se de assistir a inércia e lentidão da justiça e da polícia, e decidiu, por conta própria, criar mecanismos. Por isso um grupo de adultos cercou o adolescente e o espancaram, para coibir o garoto e resolverem por si só. Não queriam a polícia, ela demoraria uma hora para chegar. Não estou aqui defendendo a posição dos agressores, ela é errada, mas revela que a sociedade tolera esse tipo atitude. Pergunte na sua vizinhança quantos defendem a morte de bandidos por policiais e você se surpreenderá.
Necessitamos de uma polícia treinada e eficaz, de um judiciário ágil e que responda, igualitariamente, às necessidades da sociedade. A polícia precisa ser preparada e treinada, além de ser equipada para prevenir e coagir as ações dos bandidos. Falta, como em tudo neste país, uma política pública séria. Falta também fazerem valer nossos impostos.




