O espetáculo anual do salário mínimo
Crônicas | Qui, 17 de Fevereiro de 2011 14:00
O salário mínimo é o assunto do momento. O aumento proposto pelo governo é alvo de protestos por sindicalistas, trabalhadores e pela população em geral. Poucos dias após o aumento dos próprios salários, assistimos a briga dos deputados para aprovar um aumento de R$ 35,00 reais chega a parecer piada aos olhos do povo.
O fato é que estamos cansados de assistir a este espetáculo da Câmara e dos governantes. Todo ano a briga pelo aumento do mínimo torna-se o centro das atenções e os parlamentares mergulham em discussões filosóficas e econômicas que não convencem a população. Para as despesas do Governo e o salário dos parlamentares sempre há dinheiro em caixa, para o salário mínimo, nunca há dinheiro.
Avaliando os dados de uma pesquisa feita pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, percebe-se que o salário mínimo ideal para o brasileiro viver dignamente é de R$ 2227,53. Este salário atenderia a prerrogativa constitucional de "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). No entanto, assistimos verdadeiros malabarismos políticos e econômicos para se negar este valor e rasgar a constituição brasileira. Se politicamente é inviável o salário mínimo de R$ 2227,53, economicamente não o é, mas para que ele acontece, pessoas que ganham mais teriam que ganhar menos, e qualquer um de nós não abriria mão de um gordo salário para beneficiar a maioria, não é mesmo?




