Nossa educação de lixo
Crônicas | Sex, 28 de Janeiro de 2011 11:59
Basta olhar as imagens das enchentes que logo se chega a uma conclusão: quanto lixo! Não aprendemos a destinar o resíduo de tudo o que produzimos. Quanto mais a população cresce, quanto mais o poder de consumo aumenta, maislixo produzimos. Desde o papel de bala e bituca de cigarro ao sofá da sala, não sabemos bem o que fazer com o lixo que produzimos.
Já pesquisei, perguntei pessoalmente, mas não encontro um brasileiro que diga que jogue lixo na rua. Das duas uma: ou o lixo brota da terra, ou somos um bando de mentirosos. Não posso crer que o lixo brote da terra, logo, fico com a segunda opção. Quero dizer com isso que a questão do lixo é uma questão de educação. O lixo, físico, resíduo de nosso consumismo selvagem, está aí, abra a janela de seu escritório ou da sua casa e olhe para a rua: bitucas de cigarro, papel, latas. Está aí. Joga-se lixo na rua com naturalidade. O outro lixo que produzimos é a mentira, a mania de legar ao outro a nossa responsabilidade de cuidar do que é nosso. Todos somos responsáveis pela limpeza e conservação do patrimônio público.
Aqui na frente de minha casa, uma quadra de distância, começou a alagar por conta das chuvas. A prefeitura veio, desobstruiu os bueiros e constatou-se que era o lixo que bloqueava a entrada da água no bueiro e por isso alagava. Na mesma noite da desobstrução choveu o dobro da noite anterior. Não alagou. A culpa é da prefeitura que não desobstruiu antes o bueiro ou de quem jogou o lixo na rua?
Precisamos criar a consciência de limpeza urbana e educação coletiva. Nada adianta investir rios de dinheiro em programas de combate a enchentes se a população – você e eu – não cuidarmos do que é nosso. O dinheiro que a prefeitura gasta com programas de combate a enchentes é seu e meu, se tiver que gastar mais, não pensarão duas vezes em aumentar os impostos. Consciência e educação também levam a gastos controlados e maior poder de fiscalização do povo. Antes de sair por aí fechando ruas e quimando sofás para protestar, é bom já saber onde você jogará os restos do sofá queimado, pois o lixo nunca fica sem destino: ele sempre vai parar na casa de alguém.




