Eu não posso crer que matam nos hospitais
Crônicas | Ter, 07 de Dezembro de 2010 13:10
Nada justifica a morte de Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos. Podem apontar o estresse de jornada de trabalho, podem apontar a semelhança entre os frascos dos produtos, podem apontar o que for, nada justifica a morte de Stephanie.
Equipes de saúde são submetidas, diariamente, a uma rotina de estresse e pressão gigantesca. Imagine você que elas, além de lidar com a doença a ser tratada, lidam com o estresse do paciente, dos parentes e acompanhantes dos pacientes e multiplique isso pela quantidade de pacientes que há em um pronto socorro. Definitivamente, temos que reconhecer, não é fácil. Mas cada profissional que atua na área da saúde está ali porque crê ser esta a área de sua vocação. Diria mais, eles estão ali porque escolheram, atuar na área da saúde não é para qualquer um, é difícil lidar com doenças e situações de riscos. Portanto, estes profissionais, presume-se, são qualificados para esta função, estudaram para isso. Por isso não posso acreditar que exista uma justificativa para a morte de Stephanie, mais ainda, não posso aceitar que exista, pois seria crer que a saúde do país está nas mãos de amadores, e por mais que saibamos que sim, eu quero crer que não.
A responsabilidade disso tudo está nas mãos do Governo. O Governo que autoriza, por meio dos Ministérios da Saúde e da Educação a abertura indiscriminada e não fiscalizada de escolas técnicas de enfermagem, homologam faculdades sem estruturas para lecionar medicina e enfermagem e não fiscaliza eficazmente os sistemas de saúde que o próprio Governo implementou.
A morte de Stephanie, pra você, pode ser só mais uma morte. Para seus pais, é a dor que nunca passará. Eu prefiro, por mais doloroso que seja, me alinhar com a dor dos pais de Stephanie e crer e lutar para que isso não aconteça de novo. Juntos, sociedade, temos o poder de pressionar o Governo para que estes erros não aconteçam mais. E que a dor da perda de Stephanie se transforme em luta pela vida.




