Sério mesmo?
Crônicas | Qui, 25 de Novembro de 2010 15:10
A nova onda de violência no Rio de Janeiro, pela primeira vez, me deixou em dúvida. A manifestação do Governo do Estado do Rio de Janeiro em afirmar que os ataques são uma reação ao avanço do Estado nos morros, me deixa com uma dúvida que não passa: sério mesmo?
Desde o domínio dos morros pelo crime, lá na década de ’70 e toda aquela “romântica história” da doutrinação dos presos comuns pelos presos políticos em tática de guerrilha e tudo o mais, que se assiste a criminalidade demonstrar força no Rio de Janeiro. O que pode-se constatar é a mudança do discurso, mas ele está acontecendo mesmo? Para quem vive e trabalha na linha tênue da periferia, convivendo veladamente com a criminalidade, a ideia que se tem é que o crime recua se quiser recuar. O Estado não tem esse poder todo. E realmente, parece que não tem. Se o tivesse, por que só agora tomaria as rédeas da situação? Todo este caos é o preço da transição do poder do crime para o poder do Estado? Quero crer que sim, mas essa pergunta – sério mesmo? – insiste em martelar na minha cabeça.
A estrutura do crime nas periferias das grandes cidades brasileiras é tão ou mais complexa que o gerenciamento de uma empresa. Envolve contatos no Estado de direito, negociações com grandes empresários e pessoas de renome, enfim, mapeia e permeia todos as camadas sociais, valendo-se do bom e do melhor tanto quanto da escoria de cada classe social. Acreditar que o Governo do Estado do Rio de Janeiro está incomodando a criminalidade, é acreditar que essa estrutura toda está balançando, e se estiver, não seria pouco a reação dos criminosos? Daí, junta-se a minha pergunta – sério mesmo? – uma nova pergunta: que criminoso está se sentindo acuado? Mas aí, precisaríamos de um bom estudo sociológico para definir isso tudo, e eu sou só um teólogo metido a cronista, nada mais.
Espero, sinceramente, que minha pergunta se confirme com um sim. Que o Rio de Janeiro encontre seu caminho e ganhe novos rumos sociais. Espero sinceramente que o Rio de Janeiro sirva de exemplo de que se é capaz de combater o crime e vencer. Porque até agora, minha dúvida permanece. Sério mesmo?




