Do privado ao público
Crônicas | Sex, 25 de Junho de 2010 12:00
Acho interessante observar como as pessoas conversam em público. Estou sentado na praça de alimentação de um shopping da grande São Paulo esperando o rodízio de veículos me permitir voltar para casa e aproveito para observar como casais se portam em público.
Praça de alimentação de shopping, aliás, é um lugar pitoresco para ver determinados tipos de casais. Tem o recém enamorado adolescente que carrega a bandeja de fast-food todo orgulhoso para sua “princesa”. Tem o casal recém casado, percebe-se pela maneira como se olham apaixonados e acariciam a aliança um do outro entre uma mordida e outra no lanche. Tem os avós, discutindo para saber quem vai agradar mais os netos. Tem também o casal com seus dois filhos adolescentes. Este, me parece, já perdeu a noção do espaço público, discutem a relação em plena praça de alimentação, e pra quem quiser ouvir: “você não tem o direito de me proibir de comer lasanha só porque a médica proibiu”. Enfim, é interessante notar como os casais, nas mais diversas fases e idades, interagem com este ambiente que é uma praça de alimentação. Uns, sentem-se totalmente a vontade, como se estivessem nas mesas de suas casas.
Aliás, aí está algo interessante. Para quem é acostumado a uma boa refeição em família à mesa, a praça de alimentação de qualquer shopping parece ser uma pequena filial ao ar livre. Daí, retomo a questão do início deste texto, tem casais que esquecem que determinados assuntos não são para serem discutidos em público, só na mesa de casa. O que mais me chama a atenção na imensa maioria dos casais nas mesas da praça de alimentação é que são todos um bando de meninos e meninas mimados. Nenhum sequer se dá ao trabalho de recolher a própria bandeja e jogar o lixo, no lixo. Parece que a falta de educação de certos lares, de fato, se reflete no espaço público.




