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Casa de saúde e de esperanças

No dia dezenove de abril de 2009, por volta das nove horas da manhã, eu estava na recepção do Hospital Evangélico de Londrina, PR. Havia viajado a noite inteira de São Paulo para lá. Uma tia muito querida, irmã de minha vó, estava internada na UTI daquele hospital. Estava ali, observando as pessoas que entravam e saíam, enquanto aguardava a minha vez de entrar. O semblante carregado, os olhos marejados, a boca trêmula. Este era o retrato das pessoas que dali saíam, após visitar parentes ou amigos que estavam internados.

Uma cena, porem, me chamou a atenção. Há um espaço, na recepção, onde existe uma divisória de vidro de cerca de um metro e vinte de altura. De um lado, fica o paciente, do outro, os familiares. Provavelmente deve ter sido criado para pacientes que se encontram internados mas com possibilidade de locomover-se nas cadeiras de rodas sem comprometer seu estado clínico. Pois bem, de um lado, o do paciente, uma mulher, aparentando trinta anos, em uma cadeira de rodas. Do outro, um menino, aparentava ter três anos, no colo de uma senhora de idade e uma menina, aparentando ter oito anos. Pelo que pude observar, parecia ser a mãe na cadeira de rodas e os filhos do outro lado, acompanhados pela avó. O menino estica-se todo até que a mãe o pegue. Olhos marejados, aquela mãe abraça o filho, estende a mão para a filha. Uma cena comovente de se ver. Cerca de três ou quatro minutos depois, um quadro vivo do amor de uma mãe pelos filhos, é quebrado pelo choro do menino. Ele é tirado da mãe, a menina é puxada para fora do hospital. Acabou o tempo da visita. Vi aquela mãe chorar. Vi aquele menino espernear. Vi aquela menina desmaiar.

Toda essa cena e, depois de visitar minha tia em coma induzido, me fez pensar sobre a imagem que temos de um hospital. Muitas vezes, parece ser um lugar frio, repleto de profissionais da saúde que estão ali para cumprir suas funções e nada mais. Um hospital, que há muito tempo já foi chamado de Casa de Saúde, deveria ser uma Casa de esperanças. Se não o é, parte dessa culpa é minha e sua, que olhamos para os hospitais como um lugar de tristeza, doença, dor e até morte. Nos esquecemos que um hospital é uma instituição formada por profissionais e temos que crer que estes profissionais são capazes de lidar com as doenças que estão ali. Aquele filho, separado da mãe, talvez tivesse reagido de maneira diferente se dito a ele que há esperança de sua mãe voltar para casa logo. Não é iludir os familiares, nem amenizar a dor daquela cena, é colocar os pés no chão e olhar para frente com a certeza de que o melhor está sendo feito e a esperança de que dias melhores virão.

Saí dali muito abalado com tudo o que vi. Da cena do menino com a mãe, e com a situação de minha tia. Mas, após sete horas de reflexão na estrada de volta para São Paulo, tive a certeza que há esperança para aquela mãe, aqueles filhos e para a minha tia. Mesmo que a esperança, muitas vezes, não se concretize da maneira que desejamos.

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