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Outono

Parou no meio da caminhada. Olhou atentamente para aquela cena. Eram duas horas de uma tarde de outono. Procurou alguém ao redor, mas não havia ninguém no parque. Um banco, o gramado queimado pelo frio, as árvores e o lago. O outono sempre lhe rendeu doces lembranças. Uma confissão sincera de paixão lhe foi feita num longínquo outono. Trocas de telefonemas sinceros e carinhos sempre acolhedores permearam sua lembrança enquanto ele contemplava aquele banco. Lembrou-se do capuccino tomado em um café e como os olhares e os carinhos foram discretos e sinceros. Lembrou-se do perfume dela e por instante o vento gelado e suave daquela tarde parecia trazer do passado aquele perfume que e o inebria até hoje. Ficou parado ali, sem sentir o frio, sem sentir o vento, sem perceber o tempo passar.

Ficou por horas ali contemplando aquela paisagem típica do outono europeu e lembrando-se do outono paulistano. Diante daquela cena, seus olhos marejaram e sentiu uma única lágrima correr pelo rosto. Respirou fundo, olhou para os lados, não viu ninguém. Caminhou em direção ao banco e sentou-se. Sacou do bolso do casaco sua caderneta e uma caneta e escreveu como se ela estivesse ali, na frente dela, ouvindo-o falar, ouvindo-o se confessar. O outono, bem sabia, era, para muitos, símbolo de tristeza e morte, como o inverno. Para ele não, para ele outono era amor, era paixão, era quando seu coração se aquecia com as lembranças e as promessas que fizera e ouvira. Era quando ele voltava no tempo e era novamente o menino aprendiz de gente, aprendendo a viver, mas certo de que amar ele já sabia, pois ama somente ela.

Confira abaixo a versão diagramada deste conto

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