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Um jogo de sedução

Os olhares se encontram pelas beiradas. Sentados lado a lados eles folheiam uma revista e apontam, vez ou outra, para uma foto ou texto qualquer. Ao esticar o dedo para a foto, fazem questão de encostar o braço um do outro. O que apontam? Pouco importa. Que revista estão vendo? Muito menos importante. O que acontece entre eles é um jogo, leve e explícito, de sedução. Vê-se nos olhos dela que ele a faz brilhar. Vê-se nos olhos dele que ela o faz vibrar. Os sorrisos são tão espontâneos que soam melodias divinas. Eros sobrevoa aquela mesa. Mas eles, teimosamente, recusam-se os lábios, recusam-se os abraços, recusam-se as mãos dadas.  Continuam no jogo de sedução e não abrem mão dele.

Num determinado momento os olhares se fixam um no outro. Os rostos se aproximam. O brilho intenso e o sorriso contido em seus semblantes me faz jurar que vi um raio de luz, como se a empatia entre eles estivesse tão palpável quanto o beijo que, na minha opinião, certamente iria acontecer. Mas não aconteceu. Teimosamente eles se afastam. O raio de luz perde sua intensidade e eu fico frustrado em não ver brotar o que eles certamente semearam. Mesmo afastados, seus olhares não deixam de se fixarem, entre uma virada de página e outra, e a pele não deixa de se tocar, alimentando suavemente o que sentem um pelo outro.

Após uma hora de jogo, eles fecham a revista e se levantam. Saem, teimosamente lado a lado e sem se encostar. Caminham vagarosamente numa direção qualquer, embora eu saiba que, mesmo teimosamente afastados, caminhem em direção ao amor. Esse jogo de sedução é capaz de enlouquecer o homem e seduzir a mulher, mas deixa ainda mais ansioso o coração, que deseja amar, e a alma, que deseja voar.

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