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Revelação

Sentou-se por um instante na poltrona. Tentou assimilar a notícia que acabara de ouvir da boca da própria filha, que ficou em pé, imóvel, esperando a reação do pai. Ele lembrou-se do dia do nascimento, da primeira vez que ela o chamara de papai, das conversas com toda atenção quando ela começou a falar as primeiras palavras. Lembrou-se de tudo isso em fração de segundos.

- Papai? Diz alguma coisa.

Ele tentou, mas não saiu-lhe palavra alguma. Levantou-se da poltrona e abraçou a filha. Com ela envolta em seus braços, lembrou-se das tardes de domingo em que passeavam pelo parque da Aclimação, vendo árvores e pássaros. Voltou das memórias, estava ali, na sala de casa, sem perceber que seu rosto estava molhado pelas lágrimas. Voltou em direção à poltrona e parou ali, de costas para a filha.

- Papai, diz alguma coisa, por favor!

Ele respirou fundo. Virou-se e olhou nos olhos da filha. Como você é linda, igual sua mãe. O que ela diria nessa hora? Pensou, mas não conseguiu dizer nada. A saudade da esposa bateu-lhe na alma com pontadas agudas. Já havia sentido essas pontadas na alma outras vezes. Sempre que sua filha lhe fazia perguntas difíceis ou passava por situações complicadas ele se lembrava da esposa, falecida no parto da filha. Sempre se perguntava o quê ela diria? O que ela faria? Agora não sabia o que dizer.

- Papai? Não me deixe com o silêncio, o senhor nunca fez isso! Por favor, papai!

A voz saiu baixa, gaguejando no início, mas apenas conseguiu dizer o que todo pai, que ouve de sua filha a confissão de que é lésbica, pode dizer:

- Filha, eu te amo.

Confira abaixo o rascunho para uma versão em quadrinhosdeste conto, presenteado a mim por Spacca

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