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Espera

Estacionou o carro com certa maestria, apesar de não gostar de fazer baliza, e desceu correndo a pegar algo no porta malas. Do outro lado da rua, ela o aguardava. Ao fechar o carro olhou ao redor e tentou atravessar a rua o mais rápido possível. Esperou passar um ônibus, o segundo, sentiu seu coração disparar e disparou na frente do terceiro ônibus. Ao chegar do outro lado da rua não a viu mais. Seu coração então parou. Continuou a procurá-la. Olhou de um lado para o outro. Caminhou um pouco mais, se esquivou de olhares, apressou o passo e a reencontrou no lugar de sempre. Sempre tão perto dele, sempre tão longe de seu coração. Ele, que tanto a espera, não foi esperado.

Percebeu seu coração bater mais rápido, cada vez mais, e então o ritmo diminui até os batimentos normais. Sua vontade de estar com ela é grande, ele a deseja, ele a quer, mas ele nada pode fazer. Ele alimenta essa paixão, ele a tenta conquistar com palavras e gestos, mas ela, mesmo adorando tudo, ainda permanece distante demais para que ele sinta o calor que tanto deseja. Tudo é uma imensa e enorme luz cinza em seu coração. Ele tenta encontrar forças em sua carreira e faz dos amigos o apoio constante para os momentos de tristeza, mas a verdade é que ele a espera, sempre, para sempre, ele a espera, mesmo não sabendo quando ou se viverá seus sonhos. Ele a espera, mesmo sabendo que não é esperado. Ele a espera. Com a esperança que só o coração, mesmo imerso na luz cinza, é capaz de ter.

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