Cuidado pastoral em tempos de insegurança: Uma hermenêutica teológico-pastoral
Resenha | Sáb, 30 de Abril de 2011 19:00

O texto abaixo segue as recomendações da Secretaria para Educação Continuada e foi escrito em cumprimento às exigências constitucionais da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil para educação continuada de seus Ministros da Palavra e dos Sacramentos.
1) Cabeçalho
SATHLER-ROSA, Ronaldo. Cuidado pastoral em tempos de insegurança: uma hermenêutica teológico-pastoral. São Paulo: ASTE, 2004.
2) Informações sobre o autor
Ronaldo Sathler-Rosa é pastor Metodista, doutor em filosofia pela Claremont School of Theology, California, EUA, em teologia e teorias da personalidade. É professor da Faculdade de Teologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo. É professor-visitante, convidado pela Iliff School of Theology, Denver, Colorado, EUA, em 1999 e 2001. Foi presidente da Rede Internacional de Pastoral pela Responsabilidade Social. Atualmente membro do Comitê Executivo da Sociedade de Estudos Pastorais Interculturais. Casado, pai de dois filhos, uma filha e avô de uma neta.
3) Resumo
O autor, na primeira parte do livro, apresenta os motivos pelos quais analisar o contexto sócio-cultural: a encarnação e a cultura. Partindo destes dois eixos, Sathler-Rosa expõe as matrizes do “ethos” cultural, assinalando seis valores e aspirações que desapontam nas culturas contemporâneas, a saber, a impermanência, a chamada "cultura das sensações", o desemprego, as novas desigualdades, a competição e a sensação de insegurança.
Na segunda parte o autor apresenta as fundamentações bíblicas, históricas e teológicas para o termo pastor e pastoreio, partindo do Antigo Testamento e seus correlatos históricos, passando pelo paradigma pastoral que é Jesus Cristo e chegando ao Espírito Santo como agente de Deus no cuidado pastoral. Finaliza esta parte apontando as evoluções do termo pastor.
Na terceira parte, Sathler-Rosa assinala a relação entre cuidado e cuidado pastoral, apontando dois centros estruturantes do cuidado pastoral, a saber, atitudes e ações, e pontua o que falta para um melhor cuidado pastoral nas comunidades.
Na quarta parte , o autor faz o contraponto da ação pastoral, sua teoria e prática, com a teologia. Assinala a importância da ponte entre teoria e prática e aponta para a teologia pastoral como caminho de fundamentação. Assinala diversos aspectos do Reino de Deus, formulando uma teoria teológica pastoral, e finaliza analisando a perspectiva antropológica da ação pastoral.
Na quinta e última parte, Sathler-Rosa tece considerações em torno de assuntos relevantes no cotidiano. Estes assuntos saem da esfera eclesiástica e permeiam as comunidades onde vivem as igrejas e seus membros. O autor procura pontuar formas e meios de abordagens quanto à economia, violência, espiritualidade, ética pastoral, busca pela cura e novas estruturas familiares.
4) Resenha
O texto de Sathler-Rosa é pertinente aos nossos dias. A árdua tarefa do autor em encontrar um eixo de diálogo da ação pastoral com os dias de hoje em nossa sociedade é louvável. Em seus primeiros três capítulos, Sathler-Rosa elenca os pressupostos deste diálogo. Assinala bem o porquê de se avaliar o contexto, faz um levantamento do mesmo de maneira eficaz e aponta caminhos para uma leitura de nosso tempo. Faz a fundamentação bíblica, histórica e teológica do termo pastor, assinalando as mudanças de seus conceitos ao logo do tempo. De igual modo, insere o tema do cuidar alinhando à prática e teologia pastoral. Faz um arrazoado acerca do ação pastoral e teologia da ação, teorizando e aplicando o tema que bem fundamentara anteriormente. Em sua parte final, Sathler-Rosa estabelece temas para exemplificar maneiras de ação do cuidado pastoral face a realidade atual.
Neste processo de embasamento e exemplificação, Sathler-Rosa contribui para ação pastoral daqueles que se dedicam ao pastoreio em nossos dias. O ponto negativo do texto fica para o excesso de citações. Excluída as citações, pouco fica de produção textual do autor. Não à toa fiz uso, ao longo de minha análise do texto de Sathler-Rosa, de termos como “assinalar”, “pontuar” e “indicar”. Estes termos nos mostram como o autor desenvolve sua construção, sempre trazendo elementos externos para alinhavar seu raciocínio. O excesso de citações, por um lado torna o texto maçante, por outro, torna seu texto um apanhado de idéias concatenadas, o que talvez seja, neste caso, um dos méritos do presente texto.
Como ferramenta hermenêutica a que se propõe, ele lança luzes sobre o tema e instiga o leitor a encarar a realidade pelo viés da atuação pastoral. Não entendo haver a necessidade de conclusões enfáticas por parte do autor, visto ser uma ferramenta hermenêutica. O próprio capítulo final chamado de “Inconclusão” nos provoca a reler o texto e tirar nossas próprias conclusões, ou até mesmo nossas “inconclusões”.
O grande mérito de Sathler-Rosa, ao meu ver, é provocar o leitor a encarar a comunidade ao seu redor como parte de seu campo de atuação pastoral, a compreender que as mudanças sociais ocorrem e que os padrões e esquemas eclesiásticos não necessariamente se encaixam neste novos contextos, mas que este novos contextos não excluem a igreja nem a sua atuação.
Concluo esta análise enfatizando a necessidade dos leitores do texto de Sathler-Rosa compreenderem que a presente obra não vem concluir, antes, vem lançar luzes sobre a necessidade dos Ministros e Ministras do Evangelho saírem de seus casulos eclesiásticos e olharem para a realidade. Sathler-Rosa nos mostra meios de olharmos e identificarmos onde há necessidade de se levar o Evangelho como mensagem transformadora e solidária, acessível a todos e todas em nosso tempo. Por isso mesmo, não deve ser uma mensagem proclamada olhando para o passado, mas sim para o presente e futuro, identificando na sociedade onde a solidariedade cristã se faz necessária. Sathler-Rosa nos chama à reflexão, mas não uma reflexão inerte, antes, uma reflexão que se converte em ações concretas de amor, justiça e solidariedade diante de nossa sociedade e em nosso tempo.




