Igreja: reflexo de Jesus
Altar | Sermões | Seg, 30 de Janeiro de 2012 10:15
O que é a igreja hoje? Se perguntarmos a um não cristão, as respostas serão as mais variadas. Mas, e se perguntássemos a nós mesmos? Quais seriam as respostas? Muitas também, não é mesmo? Os cristãos foram chamados a viver em comunidade, igreja, para adorar a Deus no templo, e ser o reflexo de Jesus, fora do templo. O templo é importante, mas mais importante somos nós, templos móveis de Deus, espalhados pela sociedade.
O texto que separamos para nossa meditação nesta noite, mostra Jesus numa sinagoga, expulsando um demônio de um homem. O que tem a ver a expulsão de um demônio com o sermos templos móveis de Deus? Ouça atentamente a leitura que farei de São Marcos 1.21-28, não abra sua Bíblia, apenas ouça atentamente a leitura, pois à partir desta leitura, vamos compreender que precisamos ser o reflexo de Cristo para a sociedade.
O texto que lemos nos mostra Jesus, num sábado, em Cafarnaum. Neste dia, como era tradição entre os judeus à época, Jesus vai à sinagoga. Provavelmente, após a leitura do rolo contendo um texto profético, Jesus pede a palavra, que lhe é cedida. Ao levantar-se, Jesus passa a ensinar a respeito do texto e da vontade de Deus. Enquanto explicava, aparece um homem possuído por um espírito demoníaco. Este espírito reconhece Jesus como aquele que venceu satanás no deserto, fato narrado por Marcos, pouco antes deste episódio em Cafarnaum. Após expulsar o espírito demoníaco do homem, Jesus é admirado por todos, que passam a se questionar que tipo de ensino é aquele.
Este episódio em Cafarnaum me fez pensar no papel da igreja nos dias de hoje. Como deve ser a nossa igreja? Qual deve ser a nossa missão no mundo, hoje, à luz de São Marcos 1.21-28? Pensando nisso, separei três aspectos deste momento da vida de Jesus, que nos mostram qual deve ser as nossas características hoje: o ensino objetivo e confiante, a expulsão dos demônios e os feitos de Jesus proclamados
O ensino objetivo e confiante. O povo ficou admirado com seu ensino objetivo e confiante, sem os sofismas e as citações usados pelos líderes religiosos. O ensino de Jesus, segundo Marcos, era objetivo e confiante. Na tradução de Almeida Revista e Atualizada, com autoridade. Jesus não fazia rodeios, não ensinava o que o povo queria, mas sim o que o povo precisava, de fato, aprender. Jesus ensinava com autoridade, pois tinha o conhecimento da vontade de Deus, e mais, era experimentado! Ele mesmo enfrentara satanás pessoalmente, no deserto, e venceu! Por isso podia expulsar demônios.
Nós, cristãos, precisamos viver como Jesus viveu: ensinando de maneira objetiva e confiante. Para tal, é preciso vivermos a nossa fé, não apenas no culto, mas no dia a dia. De que adianta eu falar do amor de Deus, da salvação em Cristo Jesus, se eu não vivo e não manifesto este amor? De que adianta eu falar do perdão, se eu não perdôo? É preciso ensinar com autoridade, com o aval de quem viveu e vive a vontade de Deus. Por isso me preocupo com cristãos que insistem em querer estudar de tudo, menos doutrina. Quando estudamos uma revista de Escola Dominical com tema doutrinário, a sala esvazia-se. Quando estudamos temas atuais, a sala enche. O grande perigo disso é uma base de fé fundamentada apenas na aplicação doutrinária, sem o conhecimento da base de nossa fé, a doutrina.
É preciso viver o que cremos, é preciso firmar nossa fé no alicerce do conhecimento teórico e prático da vontade de Deus e das doutrinas cristãs, para que possamos experimentar a real vontade de Deus em nossas vidas, e possamos expulsar os demônios.
A expulsão de demônios. Ele consegue calar espíritos demoníacos imundos e ainda os expulsa! Jesus, com autoridade e poder, expulsa o demônio que assolava aquele homem em Cafarnaum. Ele o fez, pois tinha poder para tal. Já havia derrotado o próprio satanás! Ele o expulsa de maneira direta e sem rodeios. Não fica se justificando, não fica evocando suas qualidades como filho de Deus. Ele cala o demônio e o expulsa.
Há, na teologia, uma corrente que afirma que em nossos dias não temos mais possessão demoníacas, pois Jesus já venceu a satanás. Outra corrente, afirma que as possessões demoníacas acontecem em nossos dias, pois são visíveis e comprováveis. Não sei como você entende a questão, nem quero aqui tecer um tratado teológico ou firmar posições. Quero deixar um princípio claro para você: é preciso expulsar os demônios de nossas vidas!
Em nossos dias, os demônios são muitos. Existem certos demônios que tem nome, endereço e sabemos bem quem são, ou o que são. É preciso expulsá-los com autoridade! Aos que estão entregues ao consumo de drogas, bebidas alcoólicas exacerbadamente, a toda sorte de domínio químico, é preciso expulsar o demônio do vício! Isso mesmo, sem rodeios, sem justificativas, expulse-o de sua vida! Da mesma maneira o que fala mentiras constantemente, o que é fofoqueiro, o que é adúltero, o que comete todo tipo de crime, expulse esses demônios de sua vida! Dê um basta nos comportamento que dominam e oprimem sua vida, te afastando mais e mais de Deus!
Jesus expulsou o demônio daquele homem, pois expulsara o próprio satanás no deserto! Como posso falar para uma pessoa não mentir, se eu minto? Eu devo expulsar a mentira da minha vida, viver com caráter e dignidade, com objetividade e confiança. Vivendo assim, os feitos de Jesus serão proclamados.
O feitos de Jesus proclamados. A notícia correu rapidamente, e todos na Galileia ficaram sabendo do incidente. Após expulsar o demônio daquele homem, em Cafarnaum, as pessoas na sinagoga ficaram se perguntando quem era aquele homem. Mas este questionamento não ficou só com eles, ali na Sinagoga, mas ecoou em toda a cidade e na região da Galileia, e logo as pessoas ficaram sabendo que um certo Jesus expulsara o demônio de um homem.
Pelos frutos, conhecemos as árvores. Para nós, nos dias de hoje, numa cidade grande, onde mal vemos árvores frutíferas, uma imagem de um local distante. Talvez se disséssemos pela embalagem, conhecemos o produto, soasse mais coerente. O que quero dizer é que precisamos ser conhecidos por nossos frutos. Jesus passou a ser reconhecido como aquele que consegue calar espíritos demoníacos imundos e ainda os expulsa! Se eu sigo, de fato, os ensinos de Jesus, eu devo produzir os frutos dignos daquilo que confesso. Por isso, preciso não apenas ter uma embalagem de cristão, eu preciso ser, de fato um cristão. Para que as pessoas, ao me conhecerem, encontrem ligação entre a fé que eu digo que tenho com o meu modo de vida.
Não existe maneira mais eficaz de se proclamar o evangelho do que o testemunho de um cristão. Pelo meu jeito de ser eu demonstro os valores que creio, o que penso e o que coloco como prioridade em minha vida. Pela minha maneira de agir, eu confirmo ou não o que falo. Posso ter o mais belo e convincente discurso, mas ele pode cair por terra por conta da minha atitude. Um exemplo disto, vemos nas nossas casas. O pai diz para o filho meu filho, não minta! Mentir é feio e é pecado. Dali poucos instantes, o telefone toca, o filho atende, e o pai diz se for para mim, diga que não estou. Belo exemplo, não? Fazemos o mesmo, constantemente, em nossas vidas. Mentimos, enganamos, fugimos de nossas responsabilidades. Essas atitudes, ao invés de proclamarem o nome de Cristo, o jogam na sarjeta. Muitos de nós jogamos o nome de Cristo na sarjeta, com nossas atitudes totalmente incoerentes com nossas palavras. É preciso viver o que se crê.
Conclusão. Olhando para o texto de São Marcos 1.21-28, vemos Jesus ensinando e expulsando um demônio. Vemos que este feito é propagado em toda região, o que faz com que Jesus seja reconhecido. Em nossos dias, precisamos nós também expulsarmos os demônios de nossas vidas, vivendo conforme a vontade de Deus, manifestando em nossas atitudes o que falamos, cantamos e aprendemos na Igreja. Nossa fé não deve ser apenas de fim de semana, mas diária e constantemente alimentada nas experiências e provações que temos todos os dias.
A igreja deve ser o reflexo de Cristo, mostrando ao mundo como se deve viver, como é possível, sim, expulsar de nossas vidas os vícios, a transformar nosso caráter corrompido e a mudar a nossa falta de fé e amor pela vida. A igreja deve ser o lugar onde nossa fé é compartilhada, para que fora da Igreja, ela possa ser vivida e testemunhada, edificando a mim, a você, a todos com quem convivemos. Sejamos nós os propagadores, por meio de nossos atos e palavras, do evangelho de Cristo. Que Deus nos abençoe.




