Advento: tempo de adoração
Altar | Sermões | Seg, 26 de Dezembro de 2011 08:31
Adorar. Uma palavra bastante conhecida no meio cristão, repetida, cantada e proclamada. Será mesmo, que compreendemos o que é adoração? Advento: tempo de fé, tempo de gratidão, tempo de amor e tempo de adoração. Estes são os temas de nossas mensagens para o advento.
Chegamos à véspera do Natal, buscamos, ao longo das três últimas mensagens, trazer a vocês o sentido desta noite, a razão de ser do Natal. Fé, gratidão e amor foram os temas das três mensagens que nos conduziram até aqui. Vamos, nesta noite, de maneira breve, compreender o que é adorar. Para isto, convido você a, atentamente, acompanhar a leitura do Salmo 98.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
porque ele tem feito maravilhas;
a sua destra e o seu braço santo
lhe alcançaram a vitória.
O Senhor fez notória a sua salvação;
manifestou a sua justiça
perante os olhos das nações.
Lembrou-se da sua misericórdia
e da sua fidelidade
para com a casa de Israel;
todos os confins da terra viram
a salvação do nosso Deus.
Celebrai com júbilo ao Senhor,
todos os confins da terra;
aclamai, regozijai-vos e cantai louvores.
Cantai com harpa louvores ao Senhor,
com harpa e voz de canto;
com trombetas e ao som de buzinas,
exultai perante o Senhor, que é rei.
Ruja o mar e a sua plenitude,
o mundo e os que nele habitam.
Os rios batam palmas,
e juntos cantem de júbilo os montes,
na presença do Senhor,
porque ele vem julgar a terra;
julgará o mundo com justiça
e os povos, com equidade.
A adoração, segundo Claudionor Correa de Andrade em seu Dicionário Teológico, não está associada apenas à liturgia. Esta compreensão é importante para compreendermos o que é adoração. Adoração não é um momento litúrgico apenas, é uma expressão de vida. Paul Tillich, em sua Teologia Sistemática, afirma que a adoração de uma igreja, portanto litúrgica, é o reconhecimento da santidade divina. Não é algo teórico, mas sim, prático.
Adoramos pois ele é poderoso, adoramos pois ele é Senhor. Este senso de adoração comunitária não nos desobriga de uma vida de devoção a Deus. Por isso, precisamos compreender que, tudo que façamos aqui, no templo, deve refletir em nossas vidas fora dele. Não há real adoração no templo se nossas vidas não forem um constante adorar.
No Salmo que lemos, o autor fala dos poderosos feitos de Deus. Destes feitos, quero destacar três, que são alguns dos motivos pelos quais devemos adorar a Deus.
Primeiro, adoramos pois Deus fez notória a sua salvação. Nesta noite, de maneira especial, adoramos a Deus pela salvação em Jesus. O menino, do qual hoje rememoramos o nascimento, é a nossa salvação. Deus o estabeleceu como o que vem semear a paz e trazer, para a humanidade, a remissão dos pecados. Olho para as festividades do natal, uma data tão comercial em nossos dias, e vejo nela a oportunidade de mostrarmos um amor verdadeiro, uma maneira de se viver que vai na contramão do consumismo desenfreado e da alegria passageira. Viver em adoração a Deus. Ele nos mostra a sua salvação: Jesus. Adoremos a Deus por sua salvação.
Segundo, adoramos pois manifestou sua justiça. Vivemos num mundo de injustiça. Isso é fato para nós. Vemos as negociatas no mundo político, os jeitinhos no nosso dia a dia e nos calamos, nos conformamos com a injustiça. A tragédia de hoje, é fruto da injustiça de ontem, e produzirá mais injustiça amanhã. Essa é a realidade brasileira. Na contramão desta realidade, Deus nos mostra, no nascimento de seu filho, que há uma maneira de se viver que não precisa de negociatas, jeitinhos e tragédias. É a vida do jeito de Deus. Ele manifesta sua justiça em Jesus, e pede que olhemos para este menino, recém nascido, e aprendamos com ele a receber reis e cientistas, pastores e camponeses, ricos e pobres. A mensagem de justiça não tem classe social. Um jeito diferente de viver, em adoração a Deus. Ele nos mostra a sua justiça: Jesus. Adoremos a Deus por sua justiça.
Adoramos pela salvação e pela justiça e, por fim, adoramos pois é misericordioso e fiel. Deus manifestou sua misericórdia em Jesus. Sem este amor misericordioso não existiríamos, seríamos consumidos pela ira de Deus. Mas seu amor por nós é tamanho, que nos deu sua justiça e salvação, mostrando assim, sua misericórdia. Esta misericórdia se renova a cada manhã, não é apenas na Páscoa ou no Natal, ou durante o culto, é diária e constante. Só podemos experimentá-la porque Deus é fiel. Sua fidelidade nos sustenta, mesmo sendo nós infiéis a ele. Viver em adoração a Deus. Ele nos mostra a sua misericórdia e fidelidade: Jesus. Adoremos a Deus por sua misericórdia e fidelidade.
Concluindo. Adorar vai além do templo. Adorar é todos os dias, a todo instante. Se você entra pela porta do templo para adorar, não pode sair se não for para continuar a adoração em serviço. O culto é o espaço da gratidão e do louvor a Deus, fora do culto, nossas vidas devem ser a expressão de adoração constante ao nosso Deus. Adoremos ao menino Jesus, não só hoje, mas todos os dias de nossas vidas. Que Deus nos abençoe. Adorado seja, eternamente, o menino Jesus!
Ouça aqui este sermão, pregado em 24/12/2011 na Igreja Presbiteriana Independente de Grajaú. Aproveite e assine o RSS do Podcast e receba, semanalmente, meus sermões.




