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Advento: tempo de fé

Fim de ano. As luzes, as decorações, o comércio, a televisão, tudo aponta para o natal. O natal de compras, o natal de presentes, o natal de felicidade. A igreja, envolvida neste contexto, não pode se deixar levar pela mensagem de paz momentânea, de felicidade atrelada ao consumo ou à bens. A igreja deve apontar para o natal real, o natal de Jesus.

O advento, este período que antecede, e que muitos pensam ser, o natal, é um tempo de espera pelo Senhor da Igreja. Esta espera se dá alimentando a fé, expressando nossa gratidão, reconhecendo o amor e adorando ao único Senhor e Salvador de nossas vidas. Advento: tempo de fé, tempo de gratidão, tempo de amor e tempo de adoração. Estes são os temas de nossas mensagens para o advento.

Falar de espera, falar de advento, é falar daquele que antecedeu Jesus. João Batista fora enviado por Deus para anunciar a vinda de Jesus. Em sua missão, enxergamos o princípio da Igreja, o anúncio da vinda de Jesus. Este anúncio fundamenta-se na fé. A fé que move João Batista, o levando ao deserto. A fé que move as pessoas até o deserto, sendo chamadas ao arrependimento e levadas ao batismo.

Em suam mensagem, João Batista não apontava para si mesmo, mas para aquele que é mais poderoso que ele, aquele que batiza com o Espírito Santo. João Batista apontava para Jesus. Este João Batista é identificado, pelo evangelista Marcos, como aquele que fora profetizado por Isaías. O mensageiro que prepara o caminho, a voz que clama no meio do deserto e o que endireita os caminhos. A mensagem de João Batista é uma mensagem de esperança. Imaginando um pouco, diria que João falaria ao povo: Vocês acham que o que eu faço é muito? Esperem para ver o que faz aquele que vem aí!

Fé e esperança caminham juntas. A qualidade da nossa fé está atrelada à intensidade da nossa esperança. A esperança é elencada por Paulo no final do seu conhecido texto, 1 Coríntios 13, como uma das virtudes que permanecem, juntamente com a fé e o amor. A esperança caminha de mãos dadas com a fé. Advento é tempo de fé. Fé, que move homens e mulheres ao longo dos tempos, que une, em um só Senhor e Deus, toda a humanidade. Fé, que devemos aprender a cultivar, pedindo a Deus que nos aumente a fé, que nos fortaleça a esperança.

Mas onde, e em quê, se manifesta a fé em nossas vidas? É diante da morte da pessoa querida, que se vai inexplicavelmente, que a fé se faz presente, abraçada à esperança do reencontro na glória. É diante do desemprego, com as contas para pagar e a família para sustentar, que a fé se faz presente, braços dados à esperança de um novo emprego. É diante de mais uma discussão com o marido, a esposa, os filhos, os pais, que a fé se faz presente, abraçada à esperança de que os relacionamentos serão restaurados. Em cada lágrima derramada, em cada silêncio vivido, em cada sorriso que se abre, em cada abraço amigo, ali se manifesta a fé, abraçada à esperança.

A fé, embora pareça, não é algo subjetivo, mas é, antes, algo prático. A praticidade da fé se vê nas atitudes dos que buscam a justiça e o amor em suas vidas. É no cuidado com a educação das gerações futuras, no cuidado com o meio ambiente, no cuidado com a família, aí que se vê, concretamente, a fé.

Mas qual a relação da fé, o advento e o natal? A fé em Deus é certeza da vida em Jesus Cristo. Isso é advento. Todas as vezes que a esperança de dias melhores, de um ano novo melhor, de um futuro melhor se faz presente, é a fé que se faz presente. Fé de dias melhores, dias em que o amanhã será melhor para mim e pra você. O advento é o período de alimentarmos a esperança, para que no natal possamos festejar a chegada do nosso Salvador.

O convite que faço a você, hoje, é para dar um passo em direção a Deus. Um passo de fé. Brennan Manning, em seu livro “Convite à solitude”, conta a história de um viajante que, após uma longa caminhada para subir uma montanha, depara-se com um gigante abismo. Após alguns instantes de reflexão diante do abismo, pensando em como faria para atravessá-lo, ele vê, à sua esquerda, uma corda ligando os dois lados. Pela corda, ele vê chegar um equilibrista em uma bicicleta, com uma cadeira, trazendo uma pessoa do outro lado. O viajante o observa atônito, incrédulo no que vê. Ao que o equilibrista o convida: “vai ficar olhando, ou quer atravessar?”. Este é o convite que te faço hoje. Suba na cadeira, atravesse o abismo da dúvida, da incredulidade, do medo, sente-se ao lado de Jesus e permita que ele guie sua vida. Ele tem o melhor para nós. A corda sobre o abismo é o caminho, o único, não há outro. A sua fé não está na corda, está no equilibrista. A sua fé não está na Igreja, está em Cristo. É por Cristo que esperamos. Ele é a nossa esperança, a razão de nossa fé.

Em uma sociedade pautada pelo consumismo, pelas decisões individuais, uma pequena luz brilha, no meio do abismo do egoísmo, é a luz que você e eu devemos levar, a luz que brilha no meio do abismo, dependurada numa corda, guiada por um equilibrista, mas que não se apaga, pois é a luz da esperança, a luz do amanhã de justiça e amor, é a luz do próprio Cristo. Neste advento, deixe a luz da sua fé brilhar! É tempo de fé.


Ouça aqui este sermão, pregado em 04/12/2011 na Igreja Presbiteriana Independente de Grajaú. Aproveite e assine o RSS do Podcast e receba, semanalmente, meus sermões.

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