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A morte

Hoje vamos falar de uma das poucas certezas que temos. De um assunto que muitos ignoram ou não falam a respeito dele. É algo que nos atemoriza e nos deixa sem reação diante dela. Hoje vamos falar da morte.

Na semana que passou celebrou-se o dia de finados. Uma data marcada para lembrarmos daqueles que já partiram e deixaram saudades. A morte é assim. Ela vem, nos toma a vida de nossos queridos e nos deixa um vazio inexplicável, uma sensação perene de que está faltando alguém e não há quem possa substituir essa falta.

Mas a morte não é o fim da linha. É disso que trata o texto que quero ler com você hoje. Abra sua Bíblia em 1 Tessalonicenses 4.13-18 e vamos compreender o que é a morte e como devemos reagir diante dela.

A morte não é um fim, mas um intervalo. Por mais difícil que seja crer nesta afirmação, principalmente quando estamos diante da morte de alguém querido, ela é a mais pura verdade. Paulo afirma aos tessalonicenses que a ressurreição de Jesus é a garantia da nossa ressurreição. Ressuscitaremos com ele, pois ele venceu a morte. Ele venceu, com ele, venceremos. O texto de Paulo põe por terra toda e qualquer tentativa de se crer que existam outras vidas, que teremos outras “chances” de viver novamente. Os que “dormem”, ou seja, os que morrem, só vão voltar a viver, em Cristo, no último dia, ou seja, na consumação dos séculos. É nisto que nós, cristãos, devemos crer. Na morte como este intervalo entre a separação do hoje e o reencontro na consumação do tempo.

Qual deve ser, então, a nossa reação e atitude diante da morte? Tirando os nossos olhos do texto de Paulo, que nos aponta a esperança da vida eterna, vamos olhar para Jesus, e ver como ele reagiu diante da morte.

Leiamos São Lucas 7.12-3. Compaixão. Diante da dor da morte do filho de uma viúva, Jesus teve compaixão. Jesus sabia que aquela mulher ficaria desamparada sem seu filho. Era viúva. Não tinha como prover seu sustento e dependia do rapaz que, agora, era carrego no esquife. Diante da morte do filho daquela viúva, Jesus não ficou falando sobre o amor de Deus, não disse a ela que deveria aceitá-lo como Senhor e Salvador, não o condenou ao inferno nem o mandou ao céu. Ele teve compaixão da viúva que enterrava seu filho. E por ter compaixão, ele fez o milagre. Assim devemos nós também termos compaixão para com aqueles que perdem seus queridos, para com aqueles que estão enlutados. É preciso chorar com os que choram, é preciso fazer-se presente na vida dos que sofrem a perda de seus queridos. É preciso ser amigo daqueles que foram saqueados pela morte.

Leiamos ainda são João 11.32-35. Chorou. Diante da morte de Lázaro, Jesus fez o que eu você fazemos diante da morte: chorar. A dor da separação, a certeza que o vazio se instalaria e não sairia mais, mesmo depois do período de luto. Tudo isso toma conta da vida de quem vê a morte bater à sua porta e não tem como impedir dela entrar. O choro não deve ser jamais contido. Não se deve engolir as lágrimas que devem ser derramadas pela morte de quem amamos. Não devemos, jamais, reprimir o choro, muito menos dizer a alguém que ela não pode chorar a morte de quem ela gosta. Não. O choro é a reação natural diante da morte e nós devemos chorar com os que foram saqueados pela morte.

A morte é incompreensível para nós, e acredite, era também para Jesus. Ele não foi enviado para ela e nem nós fomos para ela criados. Tanto isso é verdade, que diante da morte do filho da viúva, de Lázaro e da filha de Jairo, a reação de Jesus foi a mesma: devolver à vida. Não pense você que Jesus só operou estes milagres quando esteve aqui. Não, e Paulo sabia disso quando escreveu aos tessalonicenses. O milagre da ressurreição está reservado para aqueles que são seus. Cremos na promessa de que ressuscitaremos. Portanto, o choro da morte não são lágrimas de remorso ou de arrependimento, mas sim, lágrimas da dor da separação, mas também lágrimas da esperança da vida eterna. Por isso devemos ter compaixão, não dó, nem pena, mas compaixão, ou seja, sentir a dor que a pessoa sente, como se essa dor fosse nossa e, assim, compreender e encontrar, orientados pelo Espírito Santo, a melhor maneira de se ajudar quem foi saqueado pela morte.

Concluindo. A morte é uma das poucas certezas que temos na vida. Quando acontecerá, não o sabemos. Devemos compreender que a morte não é o ponto final, mas sim o ponto e virgula, que interrompe uma sentença, mas não a encerra. Assim é a morte, ela não põe fim à nossa história, ela apenas a interrompe, pois o fim da nossa história é a vida, e vida eterna por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Sabendo que a morte é um intervalo, e não o fim, precisamos aprender a conviver e lidar com ela. Compaixão é a chave para nos aproximarmos dos que sofrem com a perda de alguém. Chorar junto, estar ao lado, é o caminho para ajudarmos aqueles que sofrem, por terem sido saqueados pela morte.

A morte não venceu, ela já está derrotada. A vida é o fim de tudo. A vida eterna, com Cristo, é o que está reservado para aqueles que confessam e vivem que Jesus Cristo não morreu, ressuscitou! Que Deus nos abençoe!

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