Pessoas que inspiram: Jan Huss
Altar | Sermões | Seg, 17 de Outubro de 2011 08:00
Até onde vai a sua fé e fidelidade a Deus? Em um tempo onde valores como a fidelidade são tão esquecidos, a fidelidade a Deus é a marca da vida desta pessoa que inspira, que mostra-nos, por sua fé e dedicação, que a fidelidade a Deus é para ser vivida, e não apenas proclamada.
Hoje quero falar sobre Jan Huss, mas antes quero convidar você a abrir sua Bíblia em Atos 7.57-60. Na leitura deste texto, vamos perceber que a vida de Jan Huss e de Estevão se assemelham em um aspecto: fidelidade. Leiamos Atos 7.57-60
57Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. 58E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. 59E apedrejavam Estevão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! 60Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.
Jan Huss nasceu em 1370, na cidade de Hussinek, região da Boêmia, região da atual República Checa. Aos dezesseis anos foi para Praga, capital de seu país e ingressou na universidade. Em 1402 foi nomeado reitor e pregador da Capela de Belém. Seus sermões foram marcados pela paixão e fervor os valores bíblicos, contando com a simpatia da nobreza e do povo. Diferentemente de muitos pregadores de seu tempo, pregava na língua Checa, e não em latim. Embora profundamente bíblico, Jan Huss ainda sustentava em seus sermões as doutrinas vigentes à época, até o dia em que começou a chegar à Praga os escritos de John Wycliffe. Os escritos do teólogo inglês impactou profundamente Huss, que passou a alinhar seu discurso na direção do discurso de Wycliffe, embora discordasse de muitos pontos.
Jan Huss defendia uma igreja santa, separada e pronta para o trabalho. Advertido e disciplinado pelo Papa, não obedeceu e continuou firme na pregação da palavra e da sã doutrina. Os conflitos políticos e ideológicos da época refletiam na realidade de Praga, Jan Huss sentiu os efeitos em seu pastorado à frente da Capela de Belém e como reitor da universidade. Intimado pelo Papa a parar com suas idéias reformista, preferiu seguir os preceitos bíblicos. Um Papa indigno, que se opunha ao bem estar da igreja, não deve ser obedecido. Por suas posturas, foi excomungado. Em 5 de junho de 1415, Jan Huss foi levado a julgamento perante o Concílio. Durante três dias foi acusado de herege, defendeu-se, expôs seu pensamento perante o Concílio, que sumariamente o rejeitou. Ficou vários dias encarcerado. O Concílio insistia em uma confissão de Huss de que sua pregação era herética, pois sabia que tal declaração condenaria todos os que nela creram, anulando os efeitos da palavra pregada por Huss em muitos dos que o ouviram. Mas Jan Huss permanecia firme e não negou sua fé e sua maneira de interpretar as escrituras. Finalmente, em 6 de julho de 1415, Jan Huss foi tirado da cela e levado à Catedral de Constança. Ali ouviu um sermão sobre a teimosia dos hereges, foi lhe entregue um cálice e uma veste sacerdotal, que lhe foram retiradas em seguida, como símbolo de seu despojamento; em seguida, cortaram-lhe os cabelos em forma de cruz, o vestiram de um manto e colocaram-lhe uma coroa de papel com diabinhos desenhados, conduzindo-lhe para fora da Catedral em direção a praça. Na praça, cruzou uma pira com seus livros em chamas. Pela última vez, pediram que se retratasse, ao que se negou com firmeza. Por fim, ergueu a Deus uma última oração: “Senhor Jesus, por Ti sofro com paciência esta morte cruel. Rogo-Te que tenhas misericórdia dos meus inimigos”. Morreu cantando os salmos.
O que podemos aprender com a vida de Jan Huss? Com certeza a fidelidade e o zelo pela pregação da palavra de Deus são duas grades lições que podemos aprende com a vida de Jan Huss. Destes, quero destacar a fidelidade. Tal qual o texto que lemos, sobre Estevão, Jan Huss foi fiel até a morte. Pergunto-me, olhando para vida de Huss, até onde vai a minha fé e o meu amor pelo meu Deus? Seria eu suficientemente fiel a Deus a ponto de não negá-lo? Em nosso país, dificilmente enfrentaremos situações tão extremas como a que Jan Huss enfrentou. Mas posso afirmar a você, com toda certeza, que somos convidados a negar a Deus a todo instante em nossas vidas. Não por um tribunal de inquisição, nem em um Concílio, a nos julgar, antes, somos confrontados todos os dias pela mídia e pela cultura, que nos convida a escolher entre o amor de Deus e o amor aos bens de consumo.
A vida de Jan Huss é exemplo para nós, que vivemos no conflito constante entre os valores do Reino de Deus e os valores da maioria. Deus nos chamou para sermos um povo diferente, nos escolheu para vivermos seu amor, não os interesses pessoais ou corporativos, mas sim os interesses do Reino de Deus. Que a vida de Jan Huss seja para nós o exemplo a seguir, que escolhamos sempre afirmar a nossa fé em Deus e negar os valores do mundo. Que Deus nos abençoe.




