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Dia da pátria

No ultimo sete de setembro, milhares de pessoas saíram à rua protestando contra a corrupção. O sete de setembro é uma data emblemática para nós brasileiros. É a celebração da independência do Brasil. Antes da Ditadura, era uma celebração cívica. Durante a Ditadura, era uma celebração militar. Depois dela, a celebramos meio às avessas, pois ainda não sabemos se é cívica ou militar. Pelo sim, pelo não, celebramos a independência política de Portugal.

O Apóstolo Pedro, em sua primeira carta, fala um pouco dos deveres dos cristãos em relação às autoridades. Vamos ler? Abra sua Bíblia em 1Pedro 2.11-17.

11Amados, exorto-vos, como peregrinos  e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, 12mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus  no dia da visitação.

13Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, 14quer às autoridades,  como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. 15Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; 16como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. 17Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.

O texto de Pedro nos fala da submissão dos cristãos em relação às autoridades, sejam elas postas por Deus para edificação, ou para juízo do povo. A visão bíblica da autoridade civil é de submissão e paz. No entanto, há uma preocupação em toda a Bíblia em mostrar que a voz do povo de Deus deve ser a voz da justiça. Pedro ratifica esta visão quando afirma pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos.

O que forma um povo? Quais as características que fazem do povo brasileiro uma nação? Num país de dimensões continentais, é difícil identificarmos um elemento unificador de nossa nação. Porém, há traços do jeito brasileiro que são latentes. Com a graça de Deus, tive a oportunidade de morar em duas regiões de nosso país, conhecer boa parte dele e morar no exterior. Devo à minha infância na França a visão de nação e identidade cultural de um povo. O Brasil, infelizmente, tem muito a evoluir para ser uma grande nação. Quando estou numa fila de supermercado e uma pessoa simplesmente fura na minha frente, percebo o quanto falta para sermos uma grande nação. Quando estou no ponto de ônibus e vejo os mais jovens tomarem à frente dos mais idosos para entrar no coletivo, vejo o quanto falta para sermos uma grande nação.

O que forma um povo são os seus valores e, infelizmente, os valores do povo brasileiro não são valores coletivos, mas sim individualista. Vejo isso nas igreja por onde vou. Cristãos que buscam seus próprios interesses, não ajudam a comunidade, não auxiliam os seus próprios irmãos de fé, não são capazes de dedicar nem um minuto de seu tempo para suas comunidades. Vem até a igreja apenas para consumir o que lhes é oferecido. Tudo errado. Não olhamos mais para o lado. Como nação, precisamos aprender o que é viver em coletividade. Coletividade não prevê bens para uns e outros não. Coletividade é pensar no todo. Eu não jogo lixo na rua porque é falta de educação. Também é. Eu não jogo lixo na rua pois eu sei que vai entupir o bueiro e alguém terá sua casa invadida pela água da chuva.

Olhando para nossos governantes, fomos acostumados a delegar a eles o fazer e acontecer em nossa sociedade. Porém, não somos capazes de fiscalizar e cobrar nossos direitos. Assistimos, passivamente, a corrupção acontecer debaixo de nossos olhos. Como se fosse natural. Será que não é? Eu creio que sim. O brasileiro vive e respira corrupção. Ela começa em casa. Escrevi, há um tempo atrás, um texto sobre isso e quero dividir com vocês:

Corrupção começa em casa

Somos um povo mal educado e egoísta. Cada dia mais chego a essa conclusão. Claro que essa generalização é burra, mas não deixa de ser verdade. Basta pensarmos em algumas situações práticas para percebermos isso. Seja numa fila de banco ou numa fila de carros, percebemos que sempre tem um querendo tirar vantagem, furar fila ou sobressair-se sobre os outros.

Um fato que me preocupa é assistir pessoas que dirigem na contramão para cortar o trânsito, falando mal do Governo quando há escândalos de corrupção. Essas mesmas pessoas não andariam na contramão se houvesse, naquele momento, um fiscal de trânsito multando quem o fizesse. Somos um povo regido pela lei punitiva, e não pela educação. Por isso pune-se quem fuma em lugar público e pune-se que anda na contramão. Por isso por iniciativa popular – seriam raios de esperança para sociedade? – cria-se o restritivo da Lei da Ficha Limpa. Não aprendemos a respeitar o próximo, não aprendemos que nossos direitos são nossos e não meu, não aprendemos que educação passa pelo respeito aos direitos de todos.

Não podemos esperar ética e integridade de nossos representantes políticos, se nós não somos éticos e íntegros. Não podemos exigir de nossos representantes que não busquem o interesse pessoal, se nós mesmos, na primeira oportunidade, damos um jeitinho de tirar vantagem. Precisamos de uma transformação profunda em nosso DNA social e cultural. Não podemos aceitar calados a lei da vantagem pessoal. Se um tira vantagem, só ele ganha. Se nós conseguimos tirar vantagem, então todos ganham. Uma sociedade mais justa começa em casa, na educação que damos aos nossos filhos e não pelos políticos. Eles representam a sociedade. Se a sociedade é corrupta, não tem o direito de exigir ética aos seus representantes. Podemos mudar essa história, claro, se quisermos.

 

Este é o alerta do Apóstolo Pedro. É preciso mudar nossas atitudes e olhar para nossa nação de maneira diferente. Se eu quero um Brasil melhor, devo começar a mudar minha casa, a mim mesmo. Pedro diz que a prática do bem emudecerá a ignorância dos insensatos. Eu não vejo a igreja calar a boca daqueles que são apáticos diante da corrupção. Eu vejo a igreja aliar-se a partidos que são imersos em denúncias de corrupção. Temos a liberdade de manifestação e de protesto, alguns a usam como pretexto para o vandalismo, outros, a usam com sabedoria. Como foi gratificante ver o protesto de Brasília, no último sete de setembro, ter mais destaque que o desfile oficial. Como foi gratificante saber que as pessoas vaiavam quem levantava bandeiras de partidos. Como foi gratificante ver que o povo se mobilizou para sair às ruas e protestar. Não foram massa de manobra, como na queda de Fernando Collor, nem foram caladas, como no caso do mensalão de Luis Inácio. Foram às ruas por iniciativa própria e protestaram. Onde estava a igreja? Onde você estava no último sete de setembro.

Concluindo. Se quisermos ser uma grande nação, teremos que assumir nosso papel de cidadão. Cidadão brasileiro e cidadão do Reino de Deus, aqueles que são peregrinos no mundo, mas doadores do amor de Deus a todo instante.

Ao olharmos para a nossa nação, antes de criticarmos e reclamarmos, vamos assumir nosso papel. Vamos nós sermos honestos. Vamos nós sermos corretos. Vamos nós, pelo testemunho, mostrar que há uma maneira de ser uma nação melhor. Eu creio no Brasil grande, mas ainda somos medíocres. Eu creio no Brasil gigante, mas somos mesquinhos. Eu creio que podemos ser uma nação diferente, mas eu tenho que ser diferente. Você tem que ser diferente. Brasil, olha pra cima! Que Deus nos abençoe.

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