Somos chamados a ser IPI do Brasil
Altar | Sermões | Dom, 31 de Julho de 2011 20:25
Hoje é 31 de julho de 2011. Há exatos 108 anos Alfredo Borges Teixeira, Bento Ferraz, Caetano Nogueira Junior, Eduardo Carlos Pereira, Ernesto Luis de Oliveira, Otoniel Mota e Vicente Themudo Lessa, pastores, acompanhados de 15 presbíteros, saíam do templo Presbiteriano situado à rua Helvetia e se dirigiram ao outro templo Presbiteriano situado à Rua Vinte e Quatro de Maio, deixando para trás o Sínodo Igreja Presbiteriana e dando início à Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.
Muitos foram os motivos que levaram à divisão. Dentre eles, estava o zelo pela palavra e o amor ao povo brasileiro. O evangelho também foi feito para ser anunciado aos brasileiros e pelos brasileiros. Por amarem sua nação e seu povo, estes homens valorosos aceitaram o desafio de ser uma Igreja brasileira, sustentada por brasileiros, para anunciar o evangelho aos brasileiros.
Quero meditar com vocês, hoje, sobre um episódio da vida de Paulo narrado em sua carta aos Romanos 9.1-5. Abra sua Bíblia em Romanos 9.1-5 e vamos ver o que Paulo fez por amor ao seu povo e por amor à humanidade.
1Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: 2tenho grande tristeza e incessante dor no coração; 3porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne. 4São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; 5deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!
Em suas palavras, Paulo demonstra seu amor ao seu povo. Embora ele fosse o apóstolo dos gentios, Paulo fez ecoar os sentimentos de Moisés diante da incredulidade dos judeus, quando estes construíram um bezerro de ouro para adorar (Êx 32.30-32). Eles eram seu povo, sua casa, e o apóstolo se angustiava por eles.
A angustia de Paulo é a angústia de muitos de nós. Amamos nossa família, nosso povo, e desejamos que todos caminhem nos caminhos do Senhor nosso Deus. Mas os filhos tomam seus rumos, crescem, e são responsáveis por seus atos. Nossos cônjuges, são indivíduos, e tomam suas decisões. No entanto, assim como o povo judeu tinha, segundo Paulo, oito aspectos de benção de Deus sobre eles, nossas famílias tem a benção e a promessa de Deus, para cada um de nós, de que nossa família pertence a ele, se a ele nos dedicarmos.
O exemplo de fé de Paulo deve ser seguido por nós. Paulo amou tanto a Cristo que abriu mão de seu povo, de sua casa, de sua condição social, de sua função em Jerusalém para anunciar o evangelho. Em tempos de pregadores famosos, cantores que dizem evangelizar com suas canções e de pagamento de cachês para estes dois, é preciso olhar para a vida de Paulo, que com sua vida de fazedor de tendas, não cobrou cachê para ser preso, açoitado, apedrejado, perseguido, preso e humilhado por pregar o evangelho.
Nos versos que lemos, desta brilhante carta de Paulo aos romanos, vemos o apreço de Paulo pelo seu povo a ponto de se oferecer para sofrer as consequências de ser amaldiçoado por amor ao seu povo. Paulo, porém, sabia que a oportunidade foi, e é, dada a todos. Dos oitos aspectos da benção de Deus, listados nos versos 4 e 5, o último é “deles descende o Cristo”, ou seja, o povo escolhido para receber o filho de Deus. Antes, porém, Paulo apresenta outros sete aspectos, oportunidades que o povo de Deus muitas vezes rejeitou e se afastou: a adoção como povo; a presença gloriosa de Deus se manifestando pessoalmente; as alianças com os pais da fé; a lei dada a Moisés; o culto a Deus, tendo no Templo sua expressão máxima; as promessas feitas à Abrão e Jacó e os patriarcas e suas histórias de intimidade máxima com Deus. Todos estes aspectos compõem a história do povo de Deus, sua caminhada, seus momentos de confiança e distanciamento de Deus. Porém Deus jamais desistiu deles. Deus jamais desistiu da humanidade.
Olhando para nossas vidas, com certeza encontraremos momentos em que estivemos mais próximos e mais distantes de Deus, momentos em que nos colocamos como servos, e outros que agimos com os desejos do nosso coração. Deus jamais se distanciou de nós. Encontramos pessoas que dizem que a igreja virou as costas para elas, quando na verdade, elas viraram as costas para a Igreja. Encontramos pessoas que dizem servir a Deus, mas não querem saber da Igreja, como se a comunidade de fé não tivesse valor, esquecem-se que é como povo que Deus nos chama e como povo nos é dada a salvação. Paulo sabia disso, por isso sua angústia, pois sabia que a negativa do seu povo a Jesus significava juízo de Deus para suas vidas. Olhando para nossas famílias, precisamos ter a consciência de que é nosso dever sermos testemunhas de Cristo para elas, mas é dever de cada um reconhecer em Cristo o único e suficiente Salvador.
Concluindo. Em Cristo, somos feitos filhos de Deus. Devemos interceder, orar, clamar, em palavras e atitudes, pela salvação de nossos familiares, mas cada um deles tem sua responsabilidade perante Deus. Paulo nos convida a amar nosso povo, nossa casa e nossa família. Nos convida a olhar para a história do povo de Deus, para nossa história, reconhecendo o agir e a provisão de Deus em todos os momentos, dando glórias a Deus pela salvação em Cristo Jesus. De igual modo, Paulo nos mostra, em sua vida e ministério, que ele abriu mão de tudo que era seu para que Cristo fizesse a obra nele. Você está disposto a abrir mão do que é seu para que Cristo faça a obra em você?
Hoje celebramos os 108 anos da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Já ouvi de muita gente que deveríamos ser uma igreja mais de um jeito que de outro. O fato é que, em nossa caminhada como Presbiterianos Independentes, fomos construindo uma identidade própria: Cristãos Reformados, Presbiterianos e Brasileiros. Como povo de Deus, somos chamados a viver nessa Igreja a fé em Cristo Jesus, somos chamados a servir a Deus nesta Igreja, certos de que nossos deveres e nossos direitos como membros são consequência de nossas vidas de serviços a Deus na IPI do Brasil.
Que Deus abençoe o povo dele, chamados a servir na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, um povo que ama sua origem e seu povo e que luta, abrindo mão de tudo, por Jesus Cristo e seu Evangelho, para que seu povo, sua nação e sua família sejam alvos da graça de Deus.




