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O preço e a consequência da cruz

Os nossos dias são de diversidade e pluralidade. Há, cada vez mais, expressões e modos de vida que nos surpreendem pela diferença, criatividade e contraponto para com tudo o que conhecemos de sociedade e vida social. Em meio a tantos contextos diferentes, somos enviados por Jesus como sal da terra e luz para o mundo. A própria morte de Jesus já não possui significado para muitos. Quanto mais a ressurreição.

Convido você a ler comigo o texto de 1Pedro 1.17-23. Nele, vamos descobrir o preço pago pelo nosso resgate e a consequência deste resgate. Vamos compreender que Jesus nos salvou do pecado por um alto preço e para um único propósito! Leiamos.

17Ora, se invocais como Pai  aquele que, sem acepção de pessoas,  julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, 18sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados  do vosso fútil  procedimento que vossos pais vos legaram, 19mas pelo precioso sangue, como de cordeiro  sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, 20conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós 21que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus.

22Tendo purificado a vossa alma,  pela vossa obediência à verdade,d  tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração,  uns aos outros ardentemente, 23pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente.

O texto que acabamos de ler é parte da Primeira Carta de Pedro, destinada a cristão espalhados por toda região da Ásia menor. Estes cristãos, que saíram da Judeia fugindo da perseguição, se estabeleceram em cidades e regiões que não possuíam nenhuma influência da cultura judaica, nem do nascente cristianismo. Eram pessoas que viviam em contato direto com valores dos quais não conheciam e, em muitos casos, tinham abominação. Por isso Pedro inicia sua carta, após saudação e ação de graças, evocando a santidade de vida como elemento distintivo do cristão diante das culturas.

Os tempos hoje são outros. A característica multicultural de nossos dias nos permite ter acesso e conhecimento acerca de pensamentos, modos de vida e estilos de fé das mais diversas. Diante de tanta opção cultural, como nós cristãos devemos nos portar? Creio que a resposta está em firmar, dentro em nós, o valor de nosso resgate. Pedro fala acerca deste valor e também de sua consequência. Quero compartilhar com você, hoje, sobre este valor e sua consequência.

Todo cristão deve saber o preço de seu resgate. Pedro expõe aos destinatários de sua carta o valor pelo qual eles foram resgatados. E nós fomos resgatados por este valor também: “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito nem mácula, o sangue de Cristo.” Por meio deste sacrifício temos a esperança e fé, em Deus, da nossa salvação! Pedro enfatiza a corrupção e a futilidade do comportamento das pessoas diante de Deus. Mais ainda, Pedro reforça que Deus não faz acepção de pessoas, que Deus olha para nossas vidas e vê aquilo que há de bom e ruim e nos tem em conta por nossos atos. Isto não garante que bons atos nos dão a salvação, antes, são consequência de uma mudança de vida! Como cristãos, não seremos condenados por nossos pecados, mas prestaremos contas perante Deus de nossos atos.

Você e eu precisamos reconhecer este valor pago por Jesus. Todos os dias, ao acordarmos, precisamos ter consciência de que não somos mais escravos do pecado. Que o preço pago por Jesus já nos resgatou da morte e do pecado e que, portanto, viver o que Deus nos pede não é algo impossível. É difícil, mas não impossível. É difícil olhar para os “nãos” que recebemos da vida e transformá-los em combustível para transformação da nossa realidade. É difícil encarar as dificuldades de uma cultura de consumo e utilitarista e focar primeiro no ser humano. É difícil inverter a lógica da sociedade de amar primeiro e condenar depois. Mas somos chamados, por Deus, resgatados a preço de sangue, para encararmos a difícil tarefa de mostrar, à pessoas que nos cercam, que é possível sim a humanidade ser mais solidária e humana!

Diante do valor pelo qual foi resgatado, todo cristão deve saber da consequência de seu resgate. Pedro enfatiza, nos versos 22-23 a consequência de nosso resgate. Nossa obediência à verdade, que é Deus, nos leva à purificação de nossa alma. A obediência a Deus passa pelo conhecimento de sua vontade. É preciso conhecer o que Deus quer para poder obedecê-lo. Daí a importância de uma vida de oração e leitura da Palavra de Deus. É na oração que conhecemos a Deus. Assim como na conversa e convivência entre duas pessoas se faz um amigo, na conversa e na convivência com Deus se conhece sua santa vontade.

Ao conhecer a vontade de Deus, somos confrontados com nossas práticas e pensamentos. Ele nos coloca face a face com nossa essência, com nossa alma. Muitas vezes o que vemos nos entristece e machuca. Descobrimos que, na essência, temos a natureza e a marca do pecado. Mas Deus nos dá a oportunidade de purificar a nossa alma. A este processo de purificação, o apóstolo Paulo chamou, na sua carta aos Romanos, de santificação. A obediência e a purificação de nossas almas nos trazem uma consequência: o amor. Portanto, a consequência de nosso resgate é o amor. O amor de coração, não fingido. O amor fraternal, incorruptível, e permanente.

Você e eu precisamos assumir esta consequência. Temos medo de nos amarmos. Temos medo de nos dedicarmos ao nosso semelhante. Olho para a nossa igreja e penso: quantos de nós temos a coragem, de fato, de amar as pessoas com quem dividimos este templo? Precisamos nos amar de coração e ardentemente. Assim como o relacionamento com Deus, nossos relacionamentos carecem de contato. Sim, contato. Como posso dividir a mesa da comunhão, o templo, as orações, as leituras com alguém que mal converso? Precisamos nos falar mais, nos encontrar mais, precisamos criar uma rede de relacionamentos em nossa igreja. Quantas vezes deixamos de convidar o nosso irmão ou irmã de fé para dividir conosco momentos de diversão? Quantas oportunidades eu deixei passar de convidar um irmão da igreja para ir comer um bolo, um pão, tomar um café em minha casa? Você não tem que fazer do seu irmão de fé o seu melhor amigo de infância, mas ele deve ser seu amigo, aquela pessoa com quem você divide uma fatia de bolo, uma ida ao cinema, um pedaço de pizza no fim de uma sexta-feira de muito trabalho.

Tenho insistido com a igreja sobre a necessidade de falarmos do amor de Deus, mas, para falar desse amor, precisamos vivê-lo! Precisamos criar linhas de relacionamento entre nós, espaços de convivência em meio à nossa comunidade. Precisamos amar com amor incorruptível, ou seja, amor que não se deixa abater por coisas pequenas, picuinhas, diz que disse, fofocas. Amor que se fortalece nas angústias e tristezas para florescer em sorrisos e gargalhadas na alegria. Amor que supera pequenas e grandes diferenças para numa xícara de café ou chá encontrar-se para uma conversa, um bate papo, um momento de comunhão sincera sem necessariamente se falar de igreja.

Quero concluir este sermão de hoje lembrando a você que todo cristão deve saber o preço pelo qual foi resgatado: preço de sangue. Também quero lembrar a você que todo cristão deve saber a consequência deste resgate: o amor incorruptível e verdadeiro.

Por fim, quero desafiar a todos, e isto me inclui, a viver o que foi dito aqui: o amor verdadeiro, a comunhão de dividir momentos com outros irmãos de fé, a alegria de comer um pedaço de pizza com meu irmã, de tomar uma xícara de chá ou café, de passear no shopping ou no parque, de ir ao cinema, de criar um relacionamento com meu irmão e irmã de fé. Que Deus nos abençoe e abra o meu e o seu coração para que possamos ser amigos, irmãos de fé e experimentarmos a verdadeira comunhão.

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