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Dois deveres dos cristãos

2Tessalonicenses 3.6-13
6Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes; 7pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós, 8nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; 9não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes. 10Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto se alguém não quer trabalhar, também não coma. 11Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. 12A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão. 13E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.

Deus nos chama para o serviço. Ao longo da história, Deus manifesta sua graça para com o ser humano dando-lhe a direção e à revelação de sua santa vontade.

A segunda carta aos Tessalonicenses foi escrita para que a igreja cristã em Tessalônica pudesse compreender sua missão até o cumprimento da parousia, ou seja, a volta de Cristo. Alguns acreditavam que era para logo, e por isso, abandonavam seus afazeres profissionais e eclesiásticos e ficavam dependendo dos demais cristãos. Outros acreditavam que a volta era tão iminente que começavam a achar motivos para não cumprir a vontade de Deus. Assim, a igreja de Tessalônica vivia o conflito: Jesus voltará hoje?

Este questionamento desdobra-se na questão do dever de cada cristão em relação à sociedade. Não apenas aos próximos, mas a toda a humanidade. O texto que lemos nos apresenta dois deveres importantes e essenciais para os nossos dias também.

Dentre os deveres dos cristãos encontramos o de conservar os ensinos que recebemos. Dentro do texto de 2Tessalonicenses encontramos um exemplo prático de conservação dos ensinos que nos foi passado de geração a geração, um exemplo dado pelo mau exemplo. O texto nos recomenda que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes.

Devemos manter uma distância destes que agem como sendo detentores do Evangelho, dos que dizem senhor, senhor e não tem Jesus como seu Senhor mas sim o dinheiro e os benefícios deste mundo.

Devemos, portanto, conservar viva dentro de nós a chama do Evangelho conforme nossos pais na fé nos ensinaram e que é passada de geração em geração. Como conservar vivo algo que não conhecemos? Esta é uma questão que me vem à mente quando penso no Presbiterianismo hoje. Como vamos manter alicerçada a nossa fé se a fundamentarmos nos lançamentos editoriais do mercado evangélico? Como vamos manter nossa fé alicerçada se colocamos como alicerce o mais novo CD gospel do mercado? Já fomos conhecidos como os maiores conhecedores de Bíblia. Lembro-me, há cerca de dez anos, quando, em conversa com um irmão pentecostal, ele dizia da admiração pelos presbiterianos pelo fato de lerem e conhecerem bem sua doutrina e a Bíblia. O que mudou? Mudou que deixamos de lado o que recebemos de herança para nos apropriarmos do que não é nosso, não é a nossa cara e nos vendem como sendo. Não somos o que o mercado evangélico diz, somos mais que isso, somos cristãos conscientes e se não formos críticos ao extremo com o que nos empurram correremos o risco de ficar cada vez mais distante do que nossos pais na fé nos ensinou.

Conservar a fé e os ensinos que nos foram passados pelos nossos pais da fé não é uma questão de tradicionalismo excessivo ou zelo demasiado, não, é antes um apelo à preservação dos valores do cristianismo, que anda sendo pisado e cuspido em nossa sociedade hoje.

O primeiro dever é o de conservar os ensinos do Evangelho, o segundo tem muito a ver o com o primeiro, pois devemos sempre praticar o que aprendemos. Somos conhecidos por nossa tradição no ensino, mas será que temos praticado aquilo que ensinamos? O texto de 2Tessalonicenses nos mostra que não devemos atentar para o exemplo dos que não trabalham, mas antes não vos canseis de fazer o bem.

A recomendação em tom de ordem é fundamental para a proclamação do Evangelho em nossos dias. Num mundo repleto de interesses próprios e onde o egoísmo produz a maldade, não devemos nos cansar de fazer o bem.

Difícil, não? Muito mais fácil pensar nos próprios interesses, nas próprias ambições a ter que ceder para o bem de todos ou do próximo. Fazer o bem, sempre, é a expressão em vida do que aprendemos e herdamos de nossos pais na fé. Como saber se alguém ou alguma igreja segue o que nos foi passado geração após geração? Observem suas atitudes. Não se cansam de fazer o bem? E nós, nos cansamos de fazer o bem? Façamos esta análise para verificarmos se temos ou não praticado a vontade de Deus.

Uma pergunta é pertinente: a quem devemos fazer o bem? A esta questão temos uma resposta fácil: ao próximo. E quem é nosso próximo? Todo aquele que vive ao nosso redor. Devemos fazer o bem a todo instante a todas as pessoas, não como uma obrigação pesada, mas como um exercício prazeroso do amor de Deus.

Voltando nossos olhos para o cenário atual das Igrejas, o que podemos contemplar? Comunidades ajudando aos mais necessitados? Igrejas preocupadas com questões de bem estar social, emocional e espiritual da humanidade? Não! Temos visto igrejas que lutam para ter poder econômico, social e político, porém não mexe um dedo para proclamar ao mundo o real significado do Evangelho: o amor ao próximo, a alegria em servir, o dever de amar.

Concluindo, em nossa caminhada cristã, temos o dever de preservar o que nos foi ensinado pelos que sofreram e viveram sob a bandeira do Evangelho e praticar o que aprendemos na Palavra.

Assim, quem sabe, possamos experimentar a renovação da graça de Deus sobre nossa vida, como afirma a Confissão de Fé de Westminster em seu Capítulo X, Da Vocação Eficaz:

Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça.

Que Deus nos abençoe.

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