A importância do nosso voto
Altar | Sermões | Dom, 26 de Setembro de 2010 20:20
Romanos 12.1,2; 13.1
1Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
2E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus
13.1Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
Vamos celebrar
a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
de assassinos
Covardes, estupradores
e ladrões...
Vamos celebrar
a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
de hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
e sequestros...
Nosso castelo
de cartas marcadas
O trabalho escravo,
nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
e toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância,
a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
a vida inteira
E agora não tem mais
direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
de tudo isto
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é perfeição!...
(Perfeição, Renato Russo, Legião Urbana)
Os versos do pessoal da Legião Urbana, da música perfeição que acabo de declamar ainda ecoam em mim como no quando da primeira vez que a ouvi, em 1993: um misto de indignação e impotência diante da realidade da situação política e social de meu país. No texto bíblico que lemos, Paulo exorta-nos a não nos conformarmos com a situação de nossa sociedade, com o presente século, e mais, nos convida a sujeitar-nos às autoridades.
Embora pareça-nos que Paulo pede que aceitemos as nossas autoridades calados, o que Paulo exorta aos romanos e a nós é que sejamos cumpridores da lei, sem nos deixarmos levar pelas influências de uma sociedade mergulhada em corrupção e falta de ética e amor ao próximo. Paulo não nos recomenda a inércia, mas sim a ação. E é exatamente ação que falta à igreja brasileira hoje.
Assistimos calados, desde muito cedo, a nossa sociedade render-se aos desejos dos poderosos que a regem. Foi assim desde o século XIX quando cá aportaram os primeiros missionários presbiterianos vindos dos Estados Unidos, é assim que é hoje. Renegamos nossa sociedade e a deixamos de lado, pois afinal de contas,
Sou forasteiro aqui; em terra estranha estou;
Celeste pátria, sim, anunciando vou.
Embaixador, por Deus, do reino lá dos céus;
Venho em serviço do meu rei.
(A mensagem real, Elijah Taylor Cassel (1849-1930), Flora Hamilton Cassel (1852-1911) Tradução de Eliza Rivers Smart, 1907)
e este conceito de forasteiro, estrangeiro em uma terra que não é nossa está, até hoje, em menor ou maior proporção, em nosso DNA cristão. Renegamos a sociedade e achamos que não devemos nos envolver com questões políticas e sociais, afinal, como diz um ditado muito conhecido: religião, política e futebol não se discute.
O fato é que a Igreja brasileira abriu mão de sua missão principal de fazer a diferença nos meios sociais e políticos. Eleger um candidato evangélico não é bem fazer essa diferença. Basta lembrar que na máfia das ambulâncias, o chamado escândalo das sanguessugas, em 2006 estava em peso a bancada evangélica ali representada e os principais beneficiários dos esquemas de corrupção eram associações e fundações ligadas a igrejas não católicas.
Como então a igreja pode fazer a diferença no meio político? Creio que a principal resposta a esta pergunta está em uma única palavra: voto. No próximo domingo iremos às urnas votar. Em quem você vai votar? Não quero que você responda publicamente, mas quero despertá-lo para uma reflexão pessoal. Quem é este ou esta a quem você confiará quatro anos de gestão política do país e do estado? Você conhece, alem de suas propostas, seu passado? O histórico de sua vida, sua contribuição à sociedade antes mesmo de qualquer filiação partidária ou remuneração para trabalhar em prol da sociedade? Quem é este ou esta em quem você vota?
Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
(Que país é esse? Renato Russo, Legião Urbana)
Esta música da Legião Urbana reflete bem a realidade do nosso país: se olharmos para Senado, Câmara Federal, Assembleias Legislativas, Câmaras municipais, Governo Federal, Estadual e Municipal será difícil encontrar um que esteja isento de escândalos e que cumpra aquilo que prometeu e que deve cumprir como representante público. No entanto, somos sempre otimistas, acreditamos, há gerações, no futuro da nação. Este futuro não deve ser amanhã, deve ser hoje. hoje precisamos refletir sobre em quem votar, hoje precisamos transformar nossa obrigação em um compromisso cristão com a nossa sociedade. Votar em pessoas que apresentam propostas e tenham um passado digno. Os interesseiros sempre existiram e sempre existirão. Vemos políticos que já foram artistas e que hoje tratam o eleitor como se fôssemos todos burros o incapazes de assimilar a diferença entre o que é correto ou não. Votar em pessoas assim, que são palhaços e nos fazem de palhaços, não é um voto de protesto. Voto de protesto é eleger pessoas corretas e dignas, que possuem um passado de vida pública coerente e que tenham compromisso com o país, as instituições democráticas, o direito individual e coletivo e com a sociedade.
Concluindo, quero desafiar você a refletir: como o seu voto pode mudar a história de nossa nação? O que é realmente bom para o país? Que futuro queremos viver desde já? Meditemos e que Deus nos ilumine a encontrar a melhor opção no próximo domingo.




