Empregado ou patrão, seja um profissional cristão
Altar | Sermões | Dom, 19 de Setembro de 2010 20:00
1 Timóteo 6.1-2
1Todos os servos que estão debaixo de jugo considerem dignos de toda honra o próprio senhor, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados.
2Também os que têm senhor fiel não o tratem com desrespeito, porque é irmão pelo contrário, trabalhem ainda mais, pois ele, que partilha do seu bom serviço, é crente e amado. Ensina e recomenda estas coisas.
Ao ler os escritos de Paulo, parece que os escravos naquela época alimentavam fortes expectativas de uma emancipação, pois Paulo sempre procura restringir tais manifestações. Não que Paulo fosse escravocrata, ou abolicionista, ele claramente não envolvia-se nesta dualidade. Sua preocupação era quanto ao papel do senhor cristão e do escravo cristão na sociedade. O que Paulo escreve à Timóteo é justamente sobre este papel de ambos.
Se pudéssemos atualizar esta relação de senhor e escravo, atualizaríamos fazendo a relação entre patrão e empregado. Uma relação sempre conturbada. É muito difícil para um empregado compreender o seu patrão ou chefe imediato. As motivações que seguram um empregado num serviço são várias, desde contas a pagar a falta de motivação em buscar algo melhor para si. Empregados submetem-se, muitas vezes, a injustiças e maus tratos, físicos e psicológicos, para manterem seus empregos.
Não é comum a nenhum ser humano aceitar de bom grado o ser subjugado por outro ser humano. Os que, circunstancialmente, o são, o fazem exteriormente bem, mas alimentam em seu coração, muitas vezes, o ódio e o rancor. Paulo põe fim a isso, ordenando aos que são escravos que honrem seus senhores, que empregados honrem a seus patrões. É uma postura sempre difícil esta. Desde cedo aprendi a fazer de meu emprego atual um trampolim para melhorar. E creio ser assim que devamos pensar nossas carreiras profissionais, não importa sua profissão. A insatisfação em um ambiente de trabalho deve ser o motor propulsor para que o empregado trabalhe eficientemente e produza corretamente, cumprindo seu dever, para aquilo que é remunerado.
Com certeza existirão injustiças por parte de colegas de trabalho e de chefes mal intencionados, mas o empregado cristão deve ter a certeza que toda injustiça terá seu fim, e que Deus provê, no tempo certo, o melhor para seus filhos. Faça da adversidade em seu local de trabalho a oportunidade para crescer. Crescer em fidelidade a Deus, pois não é fácil manter-se fiel a Deus quando somos diariamente subjugados. Crescer também profissionalmente, aprendendo como agir diante de situações difíceis.
A postura do empregado cristão diante das situações adversas é fundamental em seu testemunho perante o mundo. Não podemos esquecer que somos servos de Deus onde quer que estejamos e que nossas vidas são observadas pelos demais. O que fazemos é exemplo para o bem e para o mal. Estejamos sempre alertas para que nossas vidas sejam exemplo de correto proceder em nossos trabalhos. Tudo para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados.
Isso é válido também caso nossos chefes sejam cristãos. O nosso testemunho diante de nossos chefes cristãos é fundamental para que os não cristãos vejam a honestidade e a coerência entre nossas atitudes e a fé que professamos. O fato de nosso chefe ou patrão ser cristão não pode invalidar o nosso bom testemunho e nosso correto proceder. Temos assistido a um verdadeiro festival de mau testemunho de pessoas que favorecem outras por conta da fé que professam. De igual modo, pessoas que se julgam no direito de prejudicar outras por serem da mesma fé e acreditarem no perdão incondicional do irmão na fé.
Os benefícios e as vantagens que vemos pessoas tirarem das outras por serem da mesma fé são ruína para o testemunho do evangelho. Nossa fé deve ser testemunhada diariamente perante todos. O fato de ser um profissional cristão não deve fazer de nós pessoas mais relapsas ou creditarmos tudo ao inimigo ou a Deus. Temos assistido, cada vez mais, pessoas declaradamente cristãs, não cumprirem com a palavra dada, não entregarem o serviço no prazo combinado, enganarem seus clientes e patrões fazendo uso de artifícios, como dar um jeitinho, para que esconda o erro e saia no lucro. Cristãos não dão jeitinho, agem corretamente. A firmeza de testemunho diante da oportunidade de errar é fundamental para que o nome de Cristo não seja blasfemado. A firmeza de testemunho diante do pedido de um chefe para que façamos algo errado, também é fundamental. Não devemos ser extremistas, mas devemos procurar sempre sermos corretos, agindo de boa fé e deixando claro, com serenidade e tranquilidade, aquilo que cremos.
Falamos muito do empregado cristão, mas ao empregador cristão também valem cada uma das recomendações aqui dada. O chefe, ou patrão, cristão não pode se julgar dono de seu empregado. Também deve zelar para que as ordens e pedidos feitos sejam feitos com cordialidade e coerência. Não podem exigir de seus funcionários e subordinados que hajam de má fé, antes, deve incentivar a cordialidade e a coerência entre os funcionários, criando um ambiente propício para o desenvolvimento profissional e pessoal de seus funcionários.
Um patrão mal intencionado, visa somente o lucro de sua empresa. Um patrão bem intencionado, saberá que o lucro de sua empresa virá naturalmente quando seus funcionários forem incentivados diariamente e bem tratados. Não se trata aqui apenas de remuneração. Em pesquisa recente, um instituto de desenvolvimento pessoal mostrou que ambiente saudável, boa educação, qualidade de vida e benefícios para o empregado e sua família são fatores que os empregados valorizam mais, até mais que a remuneração, que vem em quinto nesta lista. Isto mostra que o dinheiro não é tudo, e o patrão cristão deve ter isso em mente. Criar um ambiente saudável para seus funcionários é fundamental. Mais que reconhecimento financeiro, reconhecimento pessoal e profissional fazem a diferença na vida de seus empregados e colaboradores.
Quero concluir convidando você, empregado ou empregador, a refletir sobre sua vida profissional. Será que temos sido testemunhas de Cristo em nossas funções profissionais? Precisamos ter esta consciência: é tão difícil ser cristão em casa quanto no trabalho. Muitos de nós passamos mais tempo na empresa que em casa. Ser um profissional ou chefe competente, eficaz e honesto é o melhor testemunho que podemos dar para os nossos próximos. Fazer de nossos empregos atuais a oportunidade para crescermos e buscarmos o que é melhor para nós, seja na mesma empresa, seja em outra empresa, é caminhar na certeza que Deus tem o melhor para nós. Estejamos cientes que Deus olha por nós, empregados e patrões, e que não devemos semear ódio e rancor, mas sim amor e coerência em nossas vidas profissionais. Que Deus nos abençoe.




